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Quando Barretos dormiu, uma voz se calou

 Quando Barretos dormiu, uma voz se calou

Barretos dormiu diferente na noite desta quinta-feira, 10 de setembro. Por volta das 16h, morreu João Monteiro de Barros Filho, aos 87 anos. Com ele, a cidade se despede de uma das figuras que marcaram profundamente a história da comunicação e da vida comunitária de Barretos e região.

Quem senta no balcão da padaria logo cedo e conversa sobre a cidade percebe que há pessoas cuja história se mistura à própria memória de um lugar. João Monteiro de Barros Filho foi uma delas. Há pedaços de sua trajetória espalhados por diferentes capítulos da história barretense.

Monteiro Filho não esteve apenas à frente de jornais e emissoras. Construiu uma trajetória ligada à comunicação, à formação profissional e à valorização da identidade local. A imprensa do interior tem essa característica: registra o presente para que, amanhã, a história não seja esquecida. E Monteiro Filho entendeu isso muito cedo.

Ainda jovem, em maio de 1955, iniciou sua trajetória na Rádio PRJ-8. Ao lado de amigos, participou da criação de “A Reportagem que Não Para”, nome que, olhando para sua caminhada, parece ter antecipado o espírito de uma vida inteira dedicada à comunicação.

Depois veio um dos capítulos mais conhecidos dessa história: em 1º de abril de 1969, foi lançado o jornal O Diário. A data, tradicionalmente associada ao Dia da Mentira, ganhou outro significado para quem acompanhou a trajetória do veículo. A comunicação, naquele momento, passava a ocupar ainda mais espaço na vida da comunidade.

Vieram novos projetos, emissoras, profissionais e gerações. A Organização Monteiro de Barros tornou-se parte da história da comunicação regional. Rádio, jornal, televisão e outros meios fizeram parte dessa caminhada e ajudaram a formar profissionais que encontraram ali uma escola de comunicação e de trabalho.

Em 1995, com a entrada da Rede Vida de Televisão, a trajetória de Monteiro Filho ganhou dimensão nacional. Barretos passou a ocupar também um espaço de destaque na história de uma emissora de alcance nacional voltada à comunicação católica.

Sua atuação também esteve ligada a iniciativas de reconhecimento e solidariedade. Projetos como o Troféu João Monteiro e Luiza e o Troféu Dom José de Mattos Pereira permaneceram associados a ações que buscavam transformar reconhecimento em auxílio a entidades e pessoas que necessitavam de apoio.

Da Cidade de Maria ao Diploma Gente que é Notícia, sua trajetória esteve ligada a diferentes iniciativas que ajudaram a registrar, reconhecer e valorizar pessoas e histórias de Barretos.

Aos 87 anos, João Monteiro de Barros Filho se despediu de Barretos na Santa Casa. Deixa uma longa trajetória na comunicação, projetos que atravessaram décadas e, principalmente, muitas histórias que continuam sendo contadas por aqueles que conviveram com seu trabalho.

Agora fica uma pergunta que ultrapassa a homenagem e alcança todos aqueles que trabalham com comunicação, cultura e vida comunitária: quem terá disposição para continuar plantando?

Porque cidades também são construídas por aqueles que registram sua história. E, quando uma voz como a de João Monteiro de Barros Filho se cala, cabe às próximas gerações decidir o que farão com tudo aquilo que foi construído antes delas.

Barretos dormiu diferente nesta quinta-feira.

E acorda hoje com uma história a menos para contar, mas com muitas histórias deixadas por ele para serem lembradas.

Igor Sorente

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