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Barretos se despede de João Monteiro de Barros Filho, fundador da Rede Vida

 Barretos se despede de João Monteiro de Barros Filho, fundador da Rede Vida

Jornalista, radialista e empresário morreu aos 87 anos; Prefeitura decretou luto oficial de três dias e autoridades destacaram sua contribuição para a comunicação e para o desenvolvimento da cidade.

Barretos se despediu nesta sexta-feira de João Monteiro de Barros Filho, jornalista, radialista e empresário que morreu na tarde de quinta-feira (10), aos 87 anos, na Santa Casa de Barretos.

O velório começou na noite de quinta-feira, na Capela Santa Josefina Bakhita, e prosseguiu durante a manhã na Catedral do Divino Espírito Santo, onde centenas de pessoas compareceram para prestar as últimas homenagens. A família ainda não havia divulgado, até a publicação desta matéria, informações sobre o sepultamento.

Fundador do jornal O Diário, das emissoras de rádio do Grupo Monteiro de Barros e da Rede Vida de Televisão, João Monteiro construiu uma trajetória de mais de sete décadas na comunicação. Ele começou no rádio em 1955, quando ainda era adolescente, e participou da criação do programa A Reportagem que Não Para, ao lado de amigos como Marco Antonio e Joel Waldo.

Em 1968, assumiu a Rádio Independente. No ano seguinte, fundou O Diário ao lado de Joel Waldo. O jornal surgiu em 1º de abril de 1969 com o slogan “no dia da mentira, uma grande verdade”.

Durante os anos 1980, Monteiro Filho ampliou a atuação no setor de radiodifusão e implantou emissoras de frequência modulada em Barretos e na região. Em 1992, criou o Instituto Brasileiro de Comunicação Cristã. Três anos depois, colocou a Rede Vida no ar, transformando a emissora em uma das principais redes brasileiras de televisão voltadas à comunicação católica.

A Organização Monteiro de Barros reúne emissoras como Band FM, O Diário FM, Independente AM e Jovem Pan News AM, em Barretos, além da Rádio Colina FM, em Colina.

Prefeitura decreta luto oficial

A Prefeitura de Barretos decretou luto oficial de três dias. Em nota, o prefeito Odair Silva destacou a convivência de mais de 40 anos com João Monteiro e afirmou que aprendeu com ele os fundamentos de sua carreira profissional.

“Foi um homem que dedicou sua vida a escrever a história de Barretos e a batalhar para que a nossa cidade se desenvolvesse. Hoje, como prefeito, tenho trabalhado arduamente para realizar as obras que ele sempre sonhou. Fica aqui a minha eterna gratidão e saudade”, declarou Odair.

O vice-prefeito Mussa Calil também lamentou a morte. Para ele, João Monteiro deixou uma contribuição decisiva para a comunicação brasileira e para a história de Barretos.

“João Monteiro não passa. Seu legado permanece”, afirmou.

A Associação Os Independentes lembrou a ligação do jornalista com a Festa do Peão de Barretos. Segundo a entidade, Monteiro Filho esteve presente na primeira edição do evento, em 1956, quando ajudou a dar visibilidade à festa que, décadas depois, se transformaria em uma das maiores celebrações da cultura sertaneja do país.

Homenagens de autoridades

A Secretaria de Comunicação do Estado de São Paulo publicou uma manifestação de pesar e destacou o pioneirismo de João Monteiro na comunicação regional e religiosa. O órgão também prestou solidariedade aos familiares, amigos e profissionais que trabalharam com o jornalista.

O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, enviou uma mensagem ao Grupo Monteiro de Barros. Ele classificou João Monteiro como um empresário, jornalista e radialista que construiu uma história importante na radiodifusão brasileira ao unir comunicação e valores cristãos.

“Ele deixa um legado de fé e compromisso com o poder transformador da comunicação cristã e comunitária em nosso país”, afirmou Alckmin.

O Poder Judiciário de Barretos também divulgou uma nota. O juiz Luiz Fernando Oliveira, diretor do Fórum, descreveu a presença de João Monteiro na cidade por meio dos jornais, das emissoras de rádio e das demais iniciativas que ajudaram a formar a identidade local.

“Barretos repousa um de seus fundadores simbólicos. O silêncio que sucede sua voz é, paradoxalmente, onde ela continuará ecoando”, escreveu.

Relação com a Cidade de Maria e o Hospital de Amor

João Monteiro foi um dos idealizadores da Cidade de Maria, centro de espiritualidade católica da Diocese de Barretos, ao lado de dom Antonio Maria Mucciolo. Também criou eventos como o Arraial da Alegria e o Rei e Rainha da Alegria, iniciativas que ajudaram a arrecadar recursos para a manutenção do espaço.

O presidente do Hospital de Amor, Henrique Prata, afirmou que Monteiro teve papel importante na história da instituição e o chamou de “profeta” por antecipar projetos que seriam desenvolvidos em Barretos.

Prata lembrou que João Monteiro criou o Arraial da Alegria em um período de dificuldades financeiras para a instituição. Segundo ele, a iniciativa ajudou a encontrar uma saída para a manutenção da Cidade de Maria e para o apoio às ações sociais.

“Ele era um homem abençoado por Deus, extremamente audacioso, generoso e bondoso. Posso dizer que tive a oportunidade de considerá-lo um pai, de tanto carinho que ele tinha por mim”, declarou.

Henrique Prata também pediu orações pela família, pela Rede Vida e pelo legado deixado pelo jornalista.

Uma vida dedicada à comunicação

Filho de João Monteiro de Barros e Inês Monteiro de Barros, João Monteiro Filho nasceu em Barretos, em 5 de novembro de 1938. Em 1959, casou-se com Luiza Cardillo Monteiro de Barros, com quem teve dois filhos, Luiz Antonio Monteiro de Barros e João Monteiro de Barros Neto. Ele também deixou netos e bisnetos.

João Monteiro foi candidato a prefeito de Barretos em 1972. Participou da criação da Academia Barretense de Cultura, onde ocupava a cadeira número 12, e recebeu dezenas de títulos de cidadania concedidos por municípios brasileiros.

Na manhã de sua despedida, a movimentação na Catedral do Divino Espírito Santo mostrou a dimensão de sua presença na cidade. Familiares, amigos, autoridades, profissionais da comunicação e moradores passaram pelo local para prestar homenagem ao homem que transformou um projeto de rádio iniciado na década de 1950 em um grupo de comunicação com alcance nacional.

Igor Sorente

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