Pequena indústria brasileira registra pior desempenho desde a pandemia, aponta CNI
Pequena indústria brasileira registra pior desempenho desde a pandemia, aponta CNI
Pesquisa também indica piora da situação financeira e da confiança do empresário industrial de pequeno porte, pressionado pelos juros altos e aumento no custo dos insumos. (Foto: Gabriel Pinheiro/CNI)
A pequena indústria brasileira começou 2026 em ritmo mais lento. Dados divulgados pela Confederação Nacional da Indústria mostram que o desempenho do setor atingiu o menor nível desde o período mais crítico da pandemia de Covid-19.
Segundo o levantamento “Panorama da Pequena Indústria”, o índice que mede a performance das empresas industriais de pequeno porte caiu para 43,7 pontos no primeiro trimestre deste ano. O resultado representa uma queda de 1 ponto em relação aos últimos três meses de 2025 e é o mais baixo desde o segundo trimestre de 2020, quando o indicador marcou 34,1 pontos durante a crise sanitária.
Para chegar ao índice, a pesquisa considera fatores como volume de produção, utilização da capacidade instalada e evolução do número de empregados. De acordo com a CNI, todos os indicadores apresentaram retração no início de 2026.
Cenário financeiro preocupa empresários
Além da redução na atividade industrial, a situação financeira das pequenas empresas também mostrou piora. O indicador financeiro caiu 2,5 pontos e atingiu 39 pontos, o menor patamar dos últimos cinco anos.
Segundo a analista de Políticas e Indústria da CNI, Julia Dias, o cenário é influenciado principalmente pelos juros elevados e pelo aumento no custo de matérias-primas e insumos.
De acordo com a especialista, as pequenas indústrias enfrentam mais dificuldades para acessar crédito, já que costumam ser consideradas operações de maior risco pelo mercado financeiro. Isso faz com que os custos de financiamento sejam mais altos.
Outro fator apontado pela pesquisa é a pressão sobre as margens de lucro causada pelo encarecimento de insumos utilizados na produção.
Matéria-prima sobe entre principais desafios
Entre as pequenas indústrias de transformação, a falta ou o alto custo da matéria-prima passou a ocupar a segunda posição entre os principais problemas enfrentados pelo setor. No levantamento anterior, o tema aparecia em sexto lugar.
O principal desafio continua sendo a elevada carga tributária.
Principais problemas na indústria de transformação
- Elevada carga tributária: 39,6%
- Falta ou alto custo da matéria-prima: 34,1%
- Falta ou alto custo de trabalhador qualificado: 26,5%
Principais problemas na construção civil
- Elevada carga tributária: 42,2%
- Taxa de juros elevadas: 37,1%
- Falta ou alto custo da mão de obra não qualificada: 31%
Segundo Julia Dias, o aumento da preocupação com o preço das matérias-primas também está ligado aos impactos econômicos do conflito no Oriente Médio, que influencia diretamente os preços do petróleo e derivados utilizados pela indústria.
Confiança segue abaixo do nível considerado positivo
A pesquisa também mostrou queda na confiança dos empresários do setor. O Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) das pequenas empresas ficou em 44,6 pontos no primeiro trimestre de 2026, o menor nível desde junho de 2020.
Pela metodologia da CNI, índices abaixo de 50 pontos indicam falta de confiança do empresariado. O indicador permanece abaixo dessa linha há 17 meses consecutivos.
Já o índice de perspectivas da pequena indústria ficou em 47,4 pontos. O dado sinaliza expectativa moderada dos empresários para os próximos seis meses, considerando fatores como demanda, contratação de funcionários e intenção de investimento.
Fonte: Brasil 61


