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Retrato em Branco e Preto: a história da música que transformou a dor de um amor impossível em um clássico da MPB

 Retrato em Branco e Preto: a história da música que transformou a dor de um amor impossível em um clássico da MPB

Composta por Tom Jobim e Chico Buarque em 1967, Retrato em Branco e Preto é uma das canções mais melancólicas da MPB. A letra fala sobre a dor de um amor mal resolvido e da incapacidade de romper um ciclo que o próprio eu lírico sabe que só vai trazer sofrimento.

Versos como “Já conheço os passos dessa estrada / Sei que não vai dar em nada” deixam claro que ele reconhece o erro antes mesmo de cometê-lo. Ainda assim, a pessoa amada “volta sempre a enfeitiçar”, mostrando que a razão perde espaço para o desejo. O “branco e preto” do título funciona como metáfora para uma vida que perdeu as cores, presa entre a lembrança e a impossibilidade de seguir em frente.

Na interpretação de Ney Matogrosso, a música ganha uma camada extra de emoção. Sua voz imprime uma fragilidade quase dolorosa à melodia, transformando cada verso em um desabafo. A canção deixa de ser apenas uma história de amor e passa a retratar a autossabotagem, a saudade e a dificuldade de abandonar aquilo que nos machuca.

No fim, Retrato em Branco e Preto mostra que algumas feridas não desaparecem com o tempo. Elas apenas mudam de forma e, nas mãos de Tom Jobim, Chico Buarque e Ney Matogrosso, acabam se transformando em arte.

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