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Corte de R$ 200 bilhões: por que pode atingir serviços e benefícios

 Corte de R$ 200 bilhões: por que pode atingir serviços e benefícios

Economistas afirmam que reduzir gastos nessa escala sem afetar políticas sociais ou reajustes de benefícios é inviável. As campanhas divergem sobre como equilibrar as contas públicas.

Cerca de 90% das despesas federais são obrigatórias, como Previdência, BPC, salários do funcionalismo, saúde, educação e Bolsa Família, afirma Pedro Paulo Zahluth Bastos, professor da Unicamp. O valor que o governo pode definir livremente — usado, por exemplo, para investimentos e manutenção de universidades e hospitais federais — passa pouco de R$ 200 bilhões.

“Um corte de R$ 200 bilhões que preserve os benefícios sociais zera o resto. Se não zera, entra nos benefícios. Não há terceira opção”, diz Bastos.

A economista Maria Lourdes Mollo, da UnB, alerta que cortes também podem reduzir renda, emprego e atividade econômica. Com menos arrecadação, estados e União podem ter menos recursos para saúde e educação.

Propostas das campanhas

Flávio Bolsonaro (PL) defende mudanças nas regras fiscais e um ajuste de 1,5% do PIB, estimado em cerca de R$ 190 bilhões com base no PIB de 2025. A campanha afirma que os cortes não atingiriam programas sociais. Luiz Inácio Lula da Silva (PT) propõe um ajuste gradual e prevê levar o déficit de 0,5% do PIB neste ano a um superávit de 1,5% em 2030.

Os dois candidatos dizem preservar benefícios sociais, mas divergem sobre como reduzir gastos e controlar a dívida.

Supersalários e fraudes

A campanha de Bolsonaro diz que buscaria economia com supersalários, desperdícios e combate a fraudes. Bastos afirma que essas medidas podem render alguns bilhões, mas não centenas de bilhões. Para atingir um corte de 1,5% a 2% do PIB, diz o economista, seria necessário mexer em despesas obrigatórias ou nos reajustes futuros dos benefícios.

Juros e dívida pública

Bastos aponta os juros como o principal fator de pressão sobre as contas públicas e estima que o pagamento consuma cerca de R$ 1 trilhão por ano. “O setor público tem déficit de 0,6% do PIB. Os juros custam 8,9% do PIB”, afirma.

Arcabouço fiscal

A regra aprovada no governo Lula limita o crescimento das despesas conforme a arrecadação. Lula promete mantê-la; a campanha de Bolosnaro propõe mudanças para reduzir a dívida e alcançar superávits. Para Bastos, cortes de grande porte podem chegar aos benefícios ou aos reajustes futuros.

Fonte: Agência Brasil

Redação

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