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Fibromialgia não é frescura: a ciência está dando voz a quem passou anos sem ser ouvido

 Fibromialgia não é frescura: a ciência está dando voz a quem passou anos sem ser ouvido
  • Yuri de Santis é fisioterapeuta (CREFITO-3 240236-F)

Por décadas, pessoas com fibromialgia ouviram que a dor era psicológica. “É estresse”, “é ansiedade”, “seus exames estão normais”. Mas sentir dor não é questão de força de vontade, e um exame normal não significa que o sofrimento não exista.

Em julho de 2026, um grande estudo genético publicado na Nature Medicine trouxe novas evidências sobre a biologia da fibromialgia. A pesquisa identificou associações genéticas relacionadas à doença, muitas delas ligadas ao funcionamento do sistema nervoso e aos mecanismos que regulam a percepção da dor. É um avanço importante: a ciência reforça que a fibromialgia não deve ser reduzida a uma questão emocional.

Isso não significa que emoções e estresse não influenciem os sintomas. Significa que o corpo e a mente estão conectados, e que a dor precisa ser tratada com seriedade, sem preconceito e sem julgamentos.

Outro ponto importante: a fibromialgia pode compartilhar fatores genéticos com condições como dor lombar crônica, síndrome do intestino irritável e transtorno de estresse pós-traumático. Isso não significa que sejam a mesma doença, mas ajuda a compreender como diferentes condições podem envolver mecanismos biológicos relacionados.

E onde entra o movimento? Na fisioterapia, o cuidado precisa respeitar os limites de cada pessoa. Exercícios graduais, fortalecimento muscular, mobilidade e estratégias para melhorar o sono podem ajudar no controle dos sintomas. Não se trata de mandar alguém com dor simplesmente se exercitar, mas de construir, passo a passo, um caminho possível para recuperar a funcionalidade e a qualidade de vida.

A fibromialgia não é preguiça, fraqueza ou falta de vontade. Quem convive com ela merece acolhimento, investigação adequada e tratamento individualizado.

A pergunta não deveria ser “será que essa dor é real?”. Deveria ser: “O que podemos fazer para aliviar essa dor e devolver qualidade de vida a essa pessoa?”

Porque ninguém precisa provar que está sofrendo para merecer cuidado.

Redação

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