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Depressão não é preguiça: o corpo também precisa entrar no tratamento
- Yuri de Santis é fisioterapeuta (CREFITO-3 240236-F)
Depressão não é simplesmente “estar triste”. É uma condição que pode mudar a forma como a pessoa pensa, dorme, come, trabalha, se relaciona e até como percebe o próprio corpo. E existe um detalhe que muita gente ignora: o corpo participa dessa história — e pode ser uma importante ferramenta de recuperação.
É aí que entra a fisioterapia.
Quando alguém está deprimido, é comum surgir um ciclo cruel: menos disposição, menos movimento, mais isolamento, mais perda de condicionamento físico e, consequentemente, ainda menos energia para fazer qualquer coisa. O corpo vai desacelerando. E, quando percebemos, levantar da cama, caminhar até a esquina ou simplesmente sair de casa parece uma tarefa gigantesca.
Mas movimento não precisa começar com academia lotada, treino pesado ou metas impossíveis.
Pode começar com uma caminhada curta. Alguns minutos de mobilidade. Exercícios respiratórios. Alongamentos. Exercícios de força adaptados. O importante é quebrar a inércia.
A atividade física regular está associada à melhora de sintomas depressivos e pode fazer parte de um tratamento mais amplo. Mas atenção: isso não significa que “é só fazer exercício que a depressão passa”. Depressão é coisa séria e pode exigir psicoterapia, medicamentos, acompanhamento médico e uma rede de apoio.
Na fisioterapia, existe algo poderoso: devolver ao paciente a percepção de que o corpo ainda responde. Um movimento que ontem parecia impossível pode se tornar possível hoje. Depois de amanhã, talvez seja possível caminhar um pouco mais.
Não é sobre transformar sofrimento em positividade tóxica. É sobre reconstruir, passo a passo, a conexão entre corpo, movimento e vida.
E se você está deprimido, não espere “ter vontade” para procurar ajuda. A vontade muitas vezes aparece depois que o cuidado começa — não antes.
Cuidar da mente também passa pelo corpo. E, às vezes, o primeiro grande passo não precisa ser grande. Precisa apenas ser dado.



