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“Calem a boca”: áudio com prefeito mandando professores se calarem vira moção de repúdio na Câmara

 “Calem a boca”: áudio com prefeito mandando professores se calarem vira moção de repúdio na Câmara

O áudio vazou e incendiou os bastidores políticos da cidade.

A Câmara Municipal de Barretos realizou sessão ordinária na segunda-feira (26) e colocou no centro da pauta uma moção de repúdio contra o prefeito Odair de Moura e Silva (REP). Os vereadores Itamar Alves dos Santos (PSD) e Tiagão Alves (União) assinam a iniciativa. A dupla formalizou a cobrança legislativa após a repercussão pública de um bate-boca ocorrido no próprio gabinete do Executivo.

O conflito tem data e contexto claros. Em 20 de outubro de 2026, professores e diretores participavam de uma reunião institucional para discutir a estadualização das escolas municipais São Francisco e Professor Giuseppe Carnimeo. O processo de transferência passa a gestão dos prédios da prefeitura para o governo estadual. A mudança levantou apreensões imediatas entre os servidores, preocupados com o futuro das unidades de ensino e a estabilidade de suas carreiras funcionais.

A conversa descarrilou rápido.

O registro em áudio, amplamente compartilhado nas redes sociais, captou a reação áspera do mandatário diante dos questionamentos da equipe pedagógica. O prefeito interrompeu os profissionais e exigiu silêncio imediato: “Vocês falaram, eu fiquei quieto, agora vocês calem a boca e vou falar”. Em seguida, Odair arrematou com a interrogação: “Cala a boca?”.

A resposta do Legislativo chegou por vias oficiais. No documento protocolado, os vereadores argumentam que exercer a autoridade pública não dá salvo-conduto para constranger ou calar categorias que apresentam reivindicações legítimas. O texto sustenta que a função de prefeito impõe diálogo democrático, equilíbrio e urbanidade com o funcionalismo.

A moção determina o envio de um ofício comunicando o repúdio da Câmara diretamente a Odair de Moura e Silva, registrando que a autoridade do cargo não pode “se sobrepor à dignidade de quem merece ser ouvido”.

Igor Sorente

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