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MP denuncia homem por feminicídio e ocultação do cadáver de Amanda em Rio Preto
Amanda da Silva, de 30 anos, foi identificada pela Polícia Civil como a vítima do crime descoberto após partes de seu corpo serem encontradas em lixeiras no bairro Parque Estoril, em São José do Rio Preto.
O Ministério Público de São Paulo denunciou Marciel Dias dos Santos pelo feminicídio de Amanda da Silva, de 29 anos, e pela ocultação do cadáver. O promotor Evandro Ornelas Leal, da Promotoria Criminal de São José do Rio Preto, apresentou a acusação depois que a Deic concluiu a investigação.
Amanda nasceu em Jandira, na Grande São Paulo. Morou em Barretos, cidade onde mantinha fortes vínculos familiares, e havia se mudado para São José do Rio Preto. Ela deixou três filhos, que passaram a ficar sob os cuidados de parentes. Depois da liberação pelo Instituto Médico Legal, a família providenciou o traslado do corpo para Barretos.
Segundo a denúncia, Marciel matou Amanda durante a madrugada de 22 de julho, dentro da casa onde morava, no Parque Estoril, em Rio Preto. A acusação afirma que ela estava deitada e coberta quando recebeu pelo menos seis golpes de um instrumento perfurocortante no tórax e na região das mamas.
A perícia encontrou sangue concentrado sobre a cama. Também localizou uma coberta com ao menos 12 perfurações. Para o Ministério Público, Amanda provavelmente estava deitada quando sofreu o ataque, o que teria reduzido sua chance de perceber a agressão e reagir.
Após a morte, Marciel teria mantido o corpo dentro da residência por alguns dias. Depois, segundo o MP, dividiu o cadáver e espalhou as partes por diferentes pontos da cidade, como lixeiras, uma boca de lobo e uma galeria pluvial. A Polícia Civil encontrou e identificou os segmentos.
A investigação também apontou uma tentativa de apagar os vestígios. O acusado teria usado cloro e água sanitária para limpar o imóvel, retirado parte do colchão manchado de sangue, pintado uma parede e descartado roupas, panos e outros objetos ligados ao crime.
Entre as provas reunidas estão o laudo necroscópico, exames realizados nos locais onde as partes foram encontradas, a perícia na residência e uma faca apreendida no imóvel. O objeto apresentava vestígios de sangue humano.
Suspeita de tentativa de fuga
O Ministério Público pediu a prisão preventiva de Marciel. A promotoria afirma que existe risco de fuga porque investigadores encontraram, no celular do acusado, pesquisas sobre viagens para Brasília feitas pouco antes da prisão.
Para o promotor, a forma como Marciel teria agido depois do crime — ao dividir e espalhar o corpo, limpar a casa e buscar informações para deixar a cidade — indica uma tentativa planejada de eliminar provas e dificultar o trabalho da polícia.
A acusação também pediu que o caso siga para julgamento pelo Tribunal do Júri. O MP solicitou uma indenização mínima de 500 salários mínimos à família e o pagamento de um salário mínimo mensal para cada um dos três filhos de Amanda até que completem 21 anos.
A promotoria ainda quer ouvir novamente o médico legista sobre uma possível lesão na nuca da vítima. Durante a investigação, Marciel teria alegado que empurrou Amanda, que ela caiu e bateu a cabeça, perdendo a consciência.


