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Selic recua para 14,5%, mas crédito caro ainda pressiona empresas e famílias

 Selic recua para 14,5%, mas crédito caro ainda pressiona empresas e famílias

Confederação Nacional da Indústria (CNI) aponta espaço para cortes maiores na taxa básica de juros sem risco à meta de inflação. (Foto: Marcello Casal/Agência Brasil)

A taxa básica de juros do Brasil, a Selic, foi reduzida para 14,5% ao ano, mas continua acima do nível considerado adequado por representantes da indústria. A diferença, segundo estimativas do setor, indica espaço para cortes mais intensos sem comprometer o controle da inflação.

Endividamento em alta

O impacto dos juros elevados segue visível no dia a dia da economia. Empresas, principalmente as de menor porte, enfrentam dificuldade para equilibrar as contas diante do crédito caro. Em 2025, o país registrou 8,9 milhões de empresas inadimplentes, somando R$ 213 bilhões em dívidas. A maior parte desse total está concentrada em micro e pequenos negócios.

Entre as famílias, o cenário também chama atenção: quase metade dos lares brasileiros possui algum tipo de dívida, o maior patamar já registrado. Com juros altos, tanto empresas quanto consumidores destinam uma fatia maior da renda para quitar compromissos financeiros, o que reduz o consumo e limita novos investimentos.

Especialistas apontam que a Selic influencia diretamente as taxas cobradas em empréstimos e financiamentos. Quando elevada, encarece o crédito, desestimula novas operações e contribui para o aumento da inadimplência.

Influência do cenário internacional

No exterior, tensões geopolíticas têm pressionado os preços do petróleo, mas o impacto no Brasil tem sido mais moderado. Como exportador da commodity e com forte presença de biocombustíveis, o país consegue reduzir a dependência externa.

Além disso, a alta nas exportações de petróleo tem favorecido a entrada de dólares na economia. Esse movimento, somado ao fluxo de investimentos estrangeiros, contribuiu para a valorização do real, que já acumula cerca de 10% frente ao dólar em 2026.

Inflação sob controle

Mesmo com fatores externos pressionando preços, a expectativa é de que a inflação permaneça dentro dos limites estabelecidos. A projeção indica que o índice oficial deve encerrar 2026 em 4,4%, abaixo do teto da meta.

O que observar

  • Juros ainda elevados continuam afetando crédito e consumo
  • Pequenos negócios concentram a maior parte das dívidas
  • Valorização do real ajuda a conter a inflação
  • Cenário externo segue como variável de atenção

O comportamento da Selic nos próximos meses deve ser decisivo para o ritmo de recuperação da economia, especialmente no acesso ao crédito e na retomada dos investimentos.

FONTE: Brasil 61

Redação

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