Startup Day reúne empreendedores e estudantes em Barretos e região
Paciência, que o futuro chega!
- Túlio Guitarrari é filósofo, técnico contábil, jornalista e pós-graduado em Ciência Política e Teologia.
O prefeito municipal noticiou, na quarta-feira (18), em suas redes sociais, que esteve em São Paulo para firmar um convênio com o governo estadual, garantindo R$ 1,7 milhão em recursos destinados a obras de infraestrutura e prevenção no município. Segundo Odair Silva (Republicanos), o investimento será aplicado na contenção das margens no encontro dos córregos Aleixo e Barretos, medida que visa combater a erosão e reduzir os riscos de alagamento.
O convênio foi assinado três meses após o ocorrido. No dia do desmoronamento, o prefeito gravou um vídeo no local, afirmando que seria necessário ter paciência e executar obras de contenção para evitar o agravamento da situação até a solução definitiva. No entanto, até o momento, tais medidas não foram implementadas, e o cenário se deteriorou. A estrutura que margeia o local cedeu, agravando ainda mais o problema.
Somente agora, três meses depois, o Poder Executivo conseguiu formalizar o convênio com o governo estadual, liderado por um partido aliado. Cabe questionar: se, mesmo com alinhamento político, o processo foi lento, como seria em um cenário de divergência partidária? Falta força política para acelerar medidas urgentes?
E quanto ao valor de R$ 1,7 milhão? Seria realmente necessário aguardar a liberação estadual para iniciar ações emergenciais? Em um município cuja arrecadação estimada ultrapassa R$ 1 bilhão, é razoável supor que não haja capacidade financeira mínima para intervenções iniciais? Argumenta-se, por vezes, que há entraves burocráticos e exigências legais — o que é legítimo. No entanto, é plausível considerar que, diante de uma situação crítica, órgãos de controle seriam sensíveis a medidas emergenciais devidamente fundamentadas, organizadas e com prestação de contas rigorosa.
O que se observa, até aqui, é a ausência de ações concretas compatíveis com a gravidade do problema. As obras concluídas, em sua maioria, foram iniciadas na gestão anterior ou viabilizadas por parcerias público-privadas. No restante, predominam anúncios em vídeos, seguidos, não raramente, pelo desaparecimento desses mesmos registros. Não se encontram mais, por exemplo, publicações com prazos para a conclusão definitiva da Avenida Engenheiro Necker Carvalho de Camargo, tampouco aquelas que posteriormente indicavam a prorrogação das obras para o início de agosto, antes das festividades locais.
É fato que a via foi parcialmente liberada para o tráfego durante o período festivo, conforme anunciado. Contudo, a entrega integral prevista para novembro não se concretizou nos termos divulgados. Diante disso, resta ao cidadão recorrer ao registro próprio — afinal, como se diz, “o print é eterno”.
Apesar das críticas, é justo reconhecer o avanço representado pelo convênio firmado, ainda que tardio. Trata-se de uma intervenção necessária, mesmo que em um trecho limitado, mas que impacta diretamente a vida de moradores e de todos que utilizam a via diariamente. Além disso, a erosão tende a se agravar com o período de chuvas, o que torna a execução das obras ainda mais urgente.
Força política não se constrói com vídeos, mas com trabalho consistente, diálogo e capacidade de articulação. O cargo de prefeito, por si só, não garante eficácia administrativa. Iniciativas público-privadas e ações pontuais, como os reparos em desníveis viários, são positivas, mas não substituem uma gestão estruturada e proativa.
Por outro lado, a adoção de um tom inadequado ao se dirigir a vereadores, com uso de palavras incompatíveis com a liturgia do cargo, não contribui para o ambiente institucional. Confundir autoritarismo com liderança revela despreparo e compromete a construção de soluções coletivas.
Ainda restam mais de dois anos e meio de mandato — tempo suficiente para corrigir rumos. É desejável que isso ocorra. Barretos precisa de uma gestão eficiente, com força política legítima e compromisso real com o interesse público. Sabe-se que alianças e compromissos políticos impõem limitações, mas governar exige, sobretudo, equilíbrio e responsabilidade.
Uma administração bem conduzida abre caminhos não apenas para a reeleição, mas para voos políticos mais altos. Que isso se concretize — pelo bem da cidade.
Paz e bem.



