North Shopping Barretos recebe pela primeira vez uma Mostra de Colecionismo
Juventude trabalhadora: entre o sonho de estudar e a urgência de sobreviver
- Michela Rita é historiadora, gestora pública e professora, com MBA em Gestão Escolar.
A escola pública sempre foi apresentada como o caminho para transformar vidas. No entanto, os números recentes sobre o ensino médio na rede estadual paulista revelam uma realidade preocupante que precisa ser debatida com seriedade pela sociedade.
Dados divulgados pela imprensa, com base em informações da APEOESP, apontam uma queda de 17% nas matrículas do ensino médio em São Paulo. Isso representa mais de 256 mil estudantes a menos nas salas de aula. Não se trata de acaso ou simples desinteresse dos jovens pela escola. Esses números refletem consequências diretas de escolhas políticas que impactam o cotidiano das famílias mais pobres.
Nas periferias e nos bairros populares, muitos adolescentes precisam trabalhar para ajudar em casa. O salário do jovem, mesmo pequeno, muitas vezes complementa a renda familiar e garante o básico no fim do mês. O problema é que o modelo atual de ensino médio em período integral tem criado um obstáculo para esses estudantes.
Em Barretos, por exemplo, grande parte das escolas estaduais oferece ensino médio em horários como das 7h às 16h ou das 14h10 às 21h10. Para muitos jovens trabalhadores, essas jornadas tornam praticamente impossível conciliar estudo e emprego. O resultado é cruel: eles precisam escolher entre continuar na escola ou ajudar suas famílias.
Na cidade vizinha de Olímpia, que possui estrutura educacional semelhante, alguns estudantes têm recorrido à Justiça para garantir algo que deveria ser básico: o direito de estudar sem abrir mão do trabalho.
A educação pública precisa ser inclusiva e sensível à realidade social dos estudantes. Se o modelo de ensino ignora as condições de vida da juventude trabalhadora, ele acaba empurrando justamente os mais pobres para fora da escola.
Defender a educação pública é também garantir que nenhum jovem precise abandonar seus estudos para sobreviver. A pergunta que fica é simples: estamos construindo uma escola que acolhe a realidade dos estudantes ou uma escola que, sem perceber, acaba excluindo quem mais precisa dela?



