Santa Casa de Barretos enfrenta déficit de R$ 4,5 milhões por mês e busca apoio político para manter atendimentos, diz Renato Reis
A situação financeira da Santa Casa de Barretos volta ao centro do debate público. Segundo o diretor Renato Reis, o hospital enfrenta dificuldades históricas causadas, principalmente, pela defasagem da tabela do Sistema Único de Saúde (SUS) e pela alta demanda regional.
De acordo com Renato, a Santa Casa atende atualmente cerca de 500 mil pessoas de 18 municípios da região, sendo referência em urgência e emergência. Ele afirmou que a instituição opera com déficit mensal de aproximadamente R$ 4,5 milhões.
“A Santa Casa é uma instituição que tem mais de 100 anos. Nos últimos anos passou uma situação muito crítica. A tabela SUS faz 24 anos que não tem aumento”, afirmou.
Segundo o diretor, os valores pagos pelos atendimentos não acompanham os custos atuais da saúde. “Hoje, uma consulta do Estado e União paga R$ 12,00. Então, é inviável esse trabalho”, declarou.
Renato Reis também explicou que o hospital atende majoritariamente casos de urgência e emergência regulados pela UPA, SAMU e Corpo de Bombeiros. “Nosso hospital atende 88% de urgência e emergência. 67% são da população barretense”, disse.
Relação com poder público
Durante a entrevista, Renato comentou as dificuldades enfrentadas pela instituição na busca por recursos junto aos governos municipal, estadual e federal. Segundo ele, a cobrança feita por Henrique Prata às autoridades ocorre devido à necessidade de manter os serviços funcionando. “Uma instituição sem dinheiro, você não consegue atender a população com dignidade”, afirmou.
Ele relatou que a Santa Casa vem buscando articulação política para ampliar os repasses destinados ao hospital. Renato disse que já participou de reuniões com representantes do Governo do Estado e do Ministério da Saúde. “O desgaste com o Estado foi um pouco grande, porque a gente vê a situação que a gente tem um déficit de R$ 4,5 milhões por mês”, declarou.
Segundo ele, a Prefeitura de Barretos iniciou colaboração financeira mensal com a instituição. “A princípio, nós estamos firmando o compromisso da prefeitura colocar um R$ 1 milhão todo mês. O mês passado já foi depositado”, afirmou.
Renato também destacou que a Santa Casa solicitou auditoria independente ao Governo do Estado para apresentar a realidade da unidade hospitalar. “No dia que chegaram aqui, estava 100% dos leitos tomados”, disse.
Dependência de emendas e campanhas
Questionado sobre a campanha “Vereadores que Salvam Vidas” e a dependência de emendas parlamentares, Renato afirmou que o apoio político e empresarial é considerado essencial para manter a estrutura hospitalar. “É impossível não depender de todos”, declarou.
Segundo ele, parte das reformas realizadas nos últimos anos ocorreu por meio de emendas parlamentares e doações. “Nós fizemos o pronto-socorro novo, a emergência nova, a UTI nova, a UTI neonatal nova”, afirmou.
Renato explicou ainda que a campanha atual busca reformar os quartos e leitos da instituição. “Nós temos 248 leitos e grande parte deles está totalmente antiga”, relatou.
Ele afirmou que as reformas buscam oferecer mais conforto aos pacientes internados. “Para dar dignidade ao paciente, nós estamos reformando os quartos”, disse.

Falta de profissionais
Outro ponto abordado durante a entrevista foi a escassez de profissionais da enfermagem. Segundo Renato Reis, atualmente existem 130 vagas abertas para técnicos de enfermagem na Santa Casa. “Na região toda, quem for técnico de enfermagem pode procurar a Santa Casa que a vaga está disponível”, afirmou.
Ele explicou que a falta de profissionais impacta diretamente o funcionamento hospitalar e pode ocasionar atrasos nos atendimentos. “Tudo isso gera atraso em algumas coisas”, declarou.
Apesar das dificuldades, Renato destacou o desempenho da equipe médica e da estrutura hospitalar. Segundo ele, a UTI da Santa Casa recebeu classificação de alto desempenho no Estado de São Paulo. “A UTI nossa foi considerada UTI alto performance”, afirmou.
“Nunca aceitarei disputar cargo político”, afirma diretor
Durante a entrevista, Renato Reis também respondeu sobre uma possível entrada na política partidária. Ele negou interesse em disputar cargos eletivos. “Cargo político, na minha vida, você pode ter certeza que nunca aceitarei disputar algum cargo”, declarou.
Segundo ele, sua atuação na Santa Casa ocorre de forma voluntária. “Eu sou voluntário na Santa Casa, eu não ganho nada”, afirmou.
Pedido de apoio e colaboração
Nos minutos finais da entrevista, Renato pediu compreensão da população e reforçou o pedido de apoio à instituição. “Todo mundo que precisa de alguma coisa, é só procurar aqui a Santa Casa. Nós somos portas abertas”, disse.
Ele também pediu colaboração por meio de doações. “Nós precisamos de ajuda e colaboração de todo mundo”, afirmou.
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