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Festa e folia com a cara do povo

 Festa e folia com a cara do povo
  • Túlio Guitarrari é filósofo, técnico contábil, jornalista e pós-graduado em Ciência Política e Teologia.

Se há dois momentos que políticos costumam apreciar, são o Carnaval — evento anual — e a Copa do Mundo, realizada a cada quatro anos. Nessas ocasiões, parece que nada de errado acontece no país. O povão esquece os problemas, o Brasil se torna maravilhoso, todos aparentam ter dinheiro sobrando no bolso, e setores essenciais como educação, saúde pública e saneamento básico parecem funcionar perfeitamente. O que importa é apenas uma coisa: festejar, sem preocupação com o dia seguinte.

Acredito que, aqui em Barretos, nem mesmo a chuva seria capaz de atrapalhar o entusiasmo. De repente, deixam de existir buracos no asfalto, mato alto espalhado pela cidade, falhas na saúde pública ou qualquer outro problema que possa comprometer o ânimo dos foliões. Carnaval e Copa do Mundo transformam-se, na prática, em uma espécie de recesso informal para os Poderes Executivo e Legislativo.

Nas redes sociais, as críticas rareiam. O que se vê são fotos e vídeos de celebração. Tudo parece bonito e harmonioso. E, no contato pessoal, nada melhor do que uma latinha de cerveja oferecida para aliviar tensões e suavizar questionamentos.

O brasileiro, muitas vezes, demonstra ter memória seletiva quando recebe algum agrado. A diversão imediata se sobrepõe às dificuldades diárias. Problemas existem — e não são poucos —, mas parecem menores quando diluídos em meio à música alta e aos brindes gelados. Afinal, “sempre foi assim”, dizem alguns. Sempre houve buracos nas ruas, água turva nas torneiras, mato alto nos bairros, lentidão e burocracia para resolver demandas da população. Ao mesmo tempo, observa-se agilidade quando se trata da nomeação de indicados políticos.

Este é o momento em que muita coisa acaba sendo empurrada para debaixo do tapete.

A orientação implícita parece clara: vá, divirta-se e não se preocupe com a cidade. Afinal, muitos ainda pensam que a responsabilidade é sempre de outro. O tempo passa — são pouco mais de dois anos e meio de gestão —, mas ele se dilui entre festas, eventos e novos carnavais. E, enquanto isso, a rotina segue seu curso.

Importa destacar: o problema não é a diversão. O lazer faz parte da vida e é legítimo. O problema está em ignorar a realidade do município e em se eximir do compromisso de buscar melhorias concretas para a coletividade.

Enquanto grande parte do povo faz festa com o povo, muitos políticos seguem fazendo festa com a cara do povo.

Redação

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