Entre muros e saltos: o filme francês que transformou o corpo em arma contra a exclusão social
Odair não caiu do céu — foi empurrado. E Barretos precisa lembrar disso antes de 2026
Vamos tirar o verniz. A política também é isso: parar de endeusar personagens que, na prática, nunca foram protagonistas — foram colocados em cena. E falo isso sem raiva, sem torcida, mas com método. Porque análise política que romantiza trajetória vira marketing eleitoral disfarçado.
Vamos ser claros: Odair Silva não é um grande estrategista nacional, nem um fenômeno político raro. Odair é fruto de três fatores muito específicos — e todos externos a ele: empurrão, microfone e perfil conservador da cidade.
Nada além disso.
Odair foi jogado na política. E quem empurrou? Henrique Prata. Esse sim é um ator político real. Henrique tem capital simbólico, institucional e humano. Mobiliza milhares de funcionários, influencia famílias inteiras, pauta o debate público sem precisar disputar eleição. Quando decidiu entrar no jogo em 2024, virou a mesa. Simples assim.
Antes disso, Odair era conhecido pelo programa popular de rádio — um instrumento poderoso em cidades médias, especialmente conservadoras como Barretos. Microfone diário cria intimidade. Familiaridade vira confiança. Confiança vira voto. Não é ideologia sofisticada; é repetição e presença.
Barretos, aliás, ajuda muito esse tipo de candidatura. É uma cidade historicamente conservadora, com forte rejeição à esquerda, desconfiada da política tradicional, e aberta a figuras que falam “simples”, “direto” e “do jeito do povo”. Odair não criou isso. Ele apenas ocupou o espaço quando o empurrão veio.
Quando concorreu a deputado estadual pelo Patriota, fez dobradinha com Ricardo Salles, nome forte do bolsonarismo. Odair não puxou Salles — foi o contrário. Salles era o motor ideológico. Odair foi o vagão regional. Os 12.112 votos em Barretos não indicam liderança própria; indicam alinhamento com uma onda já existente.
Em 2024, a história se repete. O apoio do governador Tarcísio de Freitas não foi consequência de um projeto municipal inovador, mas de alinhamento ideológico e conveniência política. Barretos não escolheu um “gestor excepcional”; escolheu alguém compatível com o script da direita paulista.
E agora chegamos a 2026.
Ricardo Salles quer cobrar a conta. Tarcísio pode ir para a Presidência ou buscar reeleição. O bolsonarismo pode voltar com força, inclusive com Flavio Bolsonaro no tabuleiro presidencial. Nesse cenário, Odair não lidera nada — ele segue.
Se a direita vencer no plano nacional e estadual, Odair pode tentar a reeleição surfando na maré. Não por mérito extraordinário, mas porque prefeitos alinhados ao poder central sempre se beneficiam: recursos, visibilidade, proteção política.
Mas aqui está o ponto que precisa ser dito sem rodeios:
Odair não controla o jogo. Odair depende dele.
Depende de Henrique Prata.
Depende do bolsonarismo.
Depende do conservadorismo estrutural de Barretos.
E quando a política muda de vento, quem foi empurrado costuma cair primeiro.
A pergunta que fica — e essa é para o eleitor pensar com calma — é simples e incômoda: Se tirarmos o empurrão, o microfone e a onda conservadora, o que sobra de Odair Silva?
Responder isso é essencial para entender não só 2026, mas o futuro político real de Barretos.
