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Sedentarismo: a doença silenciosa que acelera as suas dores
- Yuri de Santis é fisioterapeuta (CREFITO-3 240236-F)
Vou falar direto, como costumo fazer no consultório e na sala de fisioterapia: o sedentarismo não é conforto, é armadilha. Ele não chega fazendo barulho, não dá febre, não manda aviso. Ele se instala devagar — e quando você percebe, já está convivendo com dor lombar, rigidez no pescoço, joelhos rangendo, ombros travados e aquela sensação constante de “corpo pesado”.
Muita gente ainda acha que sedentarismo é só “não ir à academia”. Errado. Sedentarismo é passar o dia inteiro sentado, é levantar da cadeira com dificuldade, é viver com o corpo desligado. E o corpo humano não foi feito para isso. Ele foi feito para se mover, para girar, para alongar, para ativar músculo, circulação, articulação. Quando você não usa, ele cobra. E cobra caro.
Na fisioterapia, a gente vê esse filme todos os dias. Pessoas jovens com dores de gente velha. Pessoas que dizem: “Doutor, acordei travado”, como se o corpo tivesse quebrado do nada. Não quebrou. Ele avisou por meses — você só ignorou.
O sedentarismo encurta musculatura, enfraquece o core, rouba estabilidade das articulações e sobrecarrega estruturas que não foram feitas para segurar tudo sozinhas. Resultado? Dor no ciático, hérnia, tendinite, fascite plantar, dor cervical, dor no ombro, dor no joelho. E sabe o que é mais cruel? A pessoa acha que a dor é o problema, quando na verdade a dor é só o alarme.
E tem mais: corpo parado adoece a mente. Dor constante cansa, desanima, tira o prazer de andar, de sair, de viver. Você começa a evitar escadas, evita caminhada, evita movimento — e pronto, entra num ciclo perfeito para piorar tudo.
Agora deixa eu exagerar um pouco, porque às vezes só assim a mensagem entra: sedentarismo não é preguiça, é um acelerador de envelhecimento. Ele rouba mobilidade, rouba autonomia e antecipa limitações que só deveriam aparecer décadas depois.
A boa notícia? O corpo é incrivelmente generoso. Ele responde rápido quando você decide se mexer. E não estou falando de virar atleta, não. Estou falando de movimento consciente. Caminhar, alongar, fortalecer, cuidar da postura, ativar musculatura que ficou esquecida. É isso que a fisioterapia faz: ensina o corpo a voltar a funcionar como deveria.
Se você sente dor, rigidez, cansaço sem explicação ou vive dizendo que “seu corpo não é mais o mesmo”, escute com atenção: provavelmente ele não está sendo usado do jeito certo.
Meu conselho como fisioterapeuta é simples, direto e sem rodeio: movimente-se antes que a dor obrigue você a se mover. Porque quando a dor assume o comando, o caminho é mais longo, mais caro e mais sofrido.
Seu corpo não quer descanso eterno. Ele quer vida. E vida é movimento.

