DJ Junior Gerolim: a batida do tribal que embala as Paradas LGBTQIA+ e fortalece a diversidade
DJ Junior Gerolim: a batida do tribal que embala as Paradas LGBTQIA+ e fortalece a diversidade
No mês em que o Brasil celebra o orgulho LGBTQIA+ e intensifica a realização de Paradas da Diversidade em diversas cidades, o tribal segue como uma das principais expressões musicais da comunidade. Presente desde a criação da Parada da Diversidade de Barretos, o DJ Junior Gerolim relembra a evolução do gênero, sua conexão com o público e o crescimento do evento, que chegou à terceira edição em 2025.
Tribal ganha espaço como trilha sonora das Paradas LGBTQIA+ pelo Brasil
Junho é marcado mundialmente pelas celebrações do orgulho LGBTQIA+ e pela realização de Paradas da Diversidade que ocupam ruas e avenidas em diversas cidades brasileiras. Além das pautas ligadas à cidadania, inclusão e visibilidade, a música também desempenha papel importante nesses eventos. Entre os estilos mais associados ao universo LGBTQIA+, o tribal ocupa lugar de destaque nas pistas de dança e nos trios elétricos.
Quem já participou de uma Parada da Diversidade ou de uma festa LGBTQIA+ provavelmente já ouviu o tribal. Marcado por batidas fortes, percussão intensa e uma energia crescente, o gênero se tornou uma das principais trilhas sonoras da cultura LGBTQIA+ brasileira.

O tribal surgiu a partir da house music e ganhou força nas décadas de 1990 e 2000 ao apostar em batidas marcadas e uma forte presença da percussão. Com o passar dos anos, o estilo conquistou espaço em festas LGBTQIA+ ao redor do mundo e encontrou no Brasil um público fiel, além de características próprias que ajudaram a consolidar sua identidade.
Para entender essa evolução, a reportagem conversou com o DJ Junior Gerolim, que acompanha a cena há anos e esteve presente em todas as edições da Parada da Diversidade de Barretos desde a criação do evento.
Segundo ele, uma das características mais marcantes do tribal é justamente sua capacidade de adaptação. “O Tribal muda constantemente seu estilo, dependendo do horário e local da festa. Existe o chamado ‘som fino’, mais calmo e elegante, geralmente tocado no começo da festa, e o ‘som pesado’, mais agressivo e dançante, que costuma aparecer no final. O tribal brasileiro também tem características próprias, incorporando elementos do samba às batidas.”

Outra característica do gênero é a presença frequente de remixes de músicas conhecidas, embora as produções autorais também tenham papel relevante dentro da cena eletrônica. “O Tribal utiliza muitos remixes de músicas populares, sim, mas também traz muitas músicas autorais de DJs produtores”, explica.
Dos apitos aos leques: a transformação da pista
Ao longo dos anos, alguns elementos passaram a ser associados ao universo tribal. Um dos mais conhecidos são os apitos, herança da cultura rave dos anos 1990. Com o passar do tempo, porém, os leques ganharam protagonismo e passaram a fazer parte da identidade visual e sonora de muitas festas LGBTQIA+.
Mais do que um acessório para amenizar o calor, os leques passaram a ser utilizados em sintonia com as batidas da música, criando uma interação entre o público e os DJs.
Junior acompanhou essa transformação de perto. “No começo as pessoas utilizavam os leques apenas para se refrescar, mas com o passar do tempo virou praticamente um novo instrumento musical, ajudando a potencializar as batidas quando batido no momento certo.”

Parada de Barretos chega à terceira edição
A relação entre o tribal e as Paradas LGBTQIA+ também pode ser observada em Barretos. Em 2025, a cidade realizou a 3ª Parada do Orgulho LGBTQIA+, que acontece em setembro.
O evento que é organizado pelo Instituto Marks reuniu milhares de participantes em uma programação que uniu manifestações culturais, serviços à população, empreendedorismo, debates e apresentações artísticas.
Música, memória e pertencimento
Em constante transformação, o tribal continua sendo uma das expressões musicais mais presentes na cultura LGBTQIA+ brasileira. Misturando influências internacionais, elementos da música nacional e novas tendências da música eletrônica, o gênero segue se reinventando enquanto acompanha as mudanças do público e dos eventos em que está inserido.
Nas Paradas da Diversidade realizadas em todo o país, a música permanece como um dos elementos que ajudam a reunir diferentes gerações em torno de experiências compartilhadas. Em Barretos, essa conexão pode ser observada na trajetória do DJ Junior Gerolim, que acompanha o crescimento do evento desde sua primeira edição e segue levando o tribal para uma celebração que une cultura, memória e diversidade.
Ouça Tô Na Vibe 2 – Dj Junior Gerolim Live Set 2023 (parte 2/3) de DJ Junior Gerolim 2 no #SoundCloud


