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Ponte da Volta Grande é totalmente interditada: entenda o que levou ao bloqueio e quais caminhos técnicos estão em análise
A ponte da Volta Grande, sobre o Rio Grande, que liga os municípios de Conceição das Alagoas e Miguelópolis, passou de restrição parcial de tráfego para interdição total. A mudança de cenário ocorreu após novas vistorias técnicas apontarem risco estrutural, levando órgãos de Minas Gerais e São Paulo a adotarem o bloqueio preventivo da travessia a partir da noite de quinta-feira (5).
Da restrição à interdição total
Desde a tarde de terça-feira (3), o tráfego na ponte estava limitado a veículos com peso máximo de quatro toneladas. A medida preventiva foi adotada após equipes técnicas identificarem trincas em um dos pilares da estrutura durante inspeção de rotina.
Com a realização de uma nova vistoria, desta vez envolvendo o Departamento de Estradas de Rodagem de Minas Gerais (DER-MG), Defesa Civil e Corpo de Bombeiros, os órgãos concluíram que a permanência de qualquer fluxo de veículos representava risco aos usuários. Diante disso, foi determinada a interdição total da ponte, por tempo indeterminado.
Segundo os órgãos envolvidos, o bloqueio permanecerá até que os pareceres técnicos finais sejam concluídos e as intervenções necessárias sejam definidas e executadas.
Onde fica a ponte e qual sua importância
A ponte da Volta Grande passa sobre o Rio Grande e conecta as rodovias AMG-2540, em Minas Gerais, e SP-413, em São Paulo. A estrutura possui 540 metros de extensão e 7,84 metros de largura e foi construída em 1974 por uma usina da região.
Apesar de não pertencer oficialmente ao DER-MG, a ponte é considerada estratégica para a circulação regional, sendo amplamente utilizada para o transporte de cargas, deslocamento de moradores e integração econômica entre os dois estados.
O que foi identificado nas vistorias
As inspeções técnicas constataram trincas de grandes proporções em pilares de concreto, além de sinais de desgaste superficial, infiltração e possíveis processos de corrosão interna das armaduras estruturais.
A Defesa Civil de Conceição das Alagoas também realizou vistoria no local para elaboração de um relatório técnico preliminar, apresentado em reunião conjunta entre representantes de Minas Gerais e São Paulo. A partir dessas análises, os órgãos optaram pelo fechamento total da estrutura como medida de segurança.
Por que uma ponte antiga entra em estado crítico
De acordo com o engenheiro civil Domingo Fernando Sere Junior, especialista em pontes e obras de arte especiais, estruturas construídas na década de 1970 enfrentam hoje desafios que não existiam à época de sua concepção.
“Fissuras em pilares são um sinal de alerta, pois podem indicar perda de capacidade resistente e avanço da corrosão interna. Esse tipo de manifestação é comum em estruturas com mais de 50 anos, especialmente quando não houve manutenção periódica rigorosa ao longo do tempo”, explicou.
Mudança nas normas e no tráfego
Outro fator que contribui para a situação atual é a evolução das normas técnicas brasileiras. Segundo o engenheiro, pontes antigas eram dimensionadas para cargas da ordem de 36 toneladas, compatíveis com os veículos da época.
Com a atualização das normas, como a NBR 7188 da ABNT, os critérios passaram a considerar veículos mais pesados, com cargas que podem alcançar ou superar 45 toneladas, além de efeitos dinâmicos mais severos. “O tráfego atual é mais intenso e mais pesado. Muitas estruturas antigas não foram projetadas para essa realidade”, afirmou.

A ponte será recuperada ou substituída?
A interdição total não significa, necessariamente, que a ponte será demolida. O engenheiro explica que o próximo passo técnico é uma inspeção especial detalhada, que permitirá avaliar o grau real de comprometimento estrutural.
Entre as soluções de engenharia possíveis estão:
- recuperação localizada com injeção de resinas,
- encamisamento de pilares com concreto armado ou fibras de carbono,
- aplicação de sistemas de proteção anticorrosiva.
A substituição completa da ponte só será considerada caso os estudos apontem inviabilidade técnica ou econômica de recuperação.
Impacto no tráfego e rotas alternativas
Com a interdição total, todos os veículos devem utilizar rotas alternativas previamente indicadas pelos órgãos de trânsito. A sinalização foi reforçada nos acessos à ponte, e o local segue sendo monitorado.
Novas informações sobre prazos, intervenções e eventual liberação da estrutura dependerão da conclusão dos laudos técnicos e das decisões conjuntas entre Minas Gerais e São Paulo.

