Onde a verdade encontra a democracia.
DESDE 2015

O comércio não tem partido: Barretos precisa de uma resposta

 O comércio não tem partido: Barretos precisa de uma resposta

Dinheiro não tem partido. Nota de cem reais não vota. Quem acorda às cinco da manhã para abrir as portas de um pequeno comércio em Barretos quer ver o movimento crescer, a gaveta registrar vendas e o freguês satisfeito. Não deveria ser necessário conhecer a preferência política de um cliente para atendê-lo.

Passado o período eleitoral, começam a circular manifestações e iniciativas de boicote a estabelecimentos comerciais em razão de posicionamentos políticos. É uma prática preocupante, que merece reflexão. O comerciante não pode ser transformado em alvo de disputas partidárias, muito menos ter sua atividade econômica colocada em discussão por suas convicções pessoais.

O cidadão comum quer salário no bolso, comida na mesa e tranquilidade para trabalhar. O comércio local depende de consumidores, fornecedores e trabalhadores. Quando relações comerciais passam a ser condicionadas a preferências políticas, toda a comunidade pode sair prejudicada. A divergência faz parte da democracia. A retaliação econômica, não.

Em Ribeirão Preto, o prefeito Ricardo Silva se manifestou publicamente sobre o assunto, alertando para os prejuízos que o boicote a estabelecimentos da própria cidade pode provocar na economia local. Em Olímpia, Geninho Zuliani também se posicionou contra iniciativas de boicote, defendendo o direito de quem produz e trabalha de exercer sua atividade comercial.

E em Barretos? Até o momento, não se tem conhecimento de uma manifestação pública do prefeito Odair Silva com a mesma finalidade. A ausência de um posicionamento merece questionamento, especialmente diante da importância do comércio para a economia e para a geração de empregos no município.

Não se trata de exigir que o prefeito concorde com este ou aquele posicionamento político, tampouco de cobrar que tome partido em disputas ideológicas. A questão é outra: cabe ao chefe do Executivo defender a convivência democrática, a liberdade de opinião e o ambiente necessário para que os empreendedores possam trabalhar sem constrangimentos relacionados às suas convicções.

A disputa eleitoral passou. A vida real continua cobrando a conta todos os dias no balcão da padaria, na loja de roupas, no supermercado e nos pequenos estabelecimentos que movimentam a economia de Barretos.

Boicotar um negócio por divergência política não altera o resultado das urnas. Pode, entretanto, prejudicar o próprio comércio local, afetar empregos e enfraquecer relações construídas ao longo de anos.

O prefeito precisa compreender que sua responsabilidade institucional não se limita aos eleitores que compartilham de suas posições políticas. Governar significa representar toda a população, inclusive quem pensa diferente.

A pergunta que fica é simples: Barretos terá uma liderança capaz de defender o respeito às diferenças e a liberdade de trabalhar, ou continuará sem uma manifestação clara diante de um problema que merece atenção?

Redação

Relacionado

Ops, você não pode copiar isto!