...

Onde a verdade encontra a democracia.
DESDE 2015

13 de Maio: entre a falsa abolição e o renascer do Estrela d’Oriente

 13 de Maio: entre a falsa abolição e o renascer do Estrela d’Oriente
  • Michela Rita é historiadora, gestora pública e professora, com MBA em Gestão Escolar.

Durante muito tempo, o 13 de maio foi apresentado como o dia em que a liberdade chegou para a população negra brasileira. Nas escolas, nos discursos oficiais e nas narrativas tradicionais, aprendemos a associar essa data à assinatura da Lei Áurea, como se a abolição tivesse sido um presente concedido. Mas a história real exige mais profundidade: o fim legal da escravidão não significou inclusão, dignidade ou justiça. Após mais de 300 anos de escravidão, homens e mulheres negras foram libertos sem terra, sem educação, sem trabalho digno e sem qualquer reparação. O 13 de maio, portanto, não representa o fim da luta  revela o início de uma nova etapa de resistência.

Por isso, para muitos de nós, essa não é uma data de celebração ingênua, mas de memória crítica. É dia de lembrar que a liberdade formal não rompeu com o racismo estrutural, com a exclusão social ou com o apagamento histórico. A verdadeira abolição segue em construção, todos os dias, por meio da luta coletiva, da valorização da nossa história e da defesa de espaços de pertencimento negro.

Foi nesse contexto de resistência pós-abolição que surgiram importantes espaços de organização social e cultural da população negra. Em Barretos, o Estrela d’Oriente carrega esse significado profundo. Mais do que uma instituição, o Estrela representa a continuidade da nossa presença, da nossa cultura e da nossa capacidade de transformar exclusão em pertencimento.

Fazer parte da nova diretoria do Estrela d’Oriente, neste tempo, tem um peso simbólico ainda maior. É compreender que manter viva essa história também é responder ao que o 13 de maio nos ensina: liberdade sem memória é ilusão. O novo renascer do Estrela reafirma nosso compromisso com ancestralidade, cultura, juventude e reconstrução. Cada ação, cada reencontro e cada celebração fortalecem nossa identidade e mostram que seguimos escrevendo nossa própria história.

Neste 13 de maio, não celebramos o fim de uma opressão como se ela tivesse sido totalmente superada. Reafirmamos nossa consciência histórica e nosso compromisso com o futuro. Porque a liberdade real não foi assinada em uma lei, ela continua sendo construída por quem resiste. E o Estrela d’Oriente segue sendo uma de nossas luzes nesse caminho.

Redação

Relacionado

Ops, você não pode copiar isto!