8 de março: Pela vida das mulheres
- Maria Elisa Aquino é revisora textual.
No ano de 2026, com o aumento alarmante dos casos de violência contra as mulheres e de feminicídio, o movimento feminista ocupa as ruas contra a cultura patriarcal de dominação dos nossos corpos e pelas nossas vidas.
Se partirmos do ano de 2015, ano em que foi sancionada a lei nº 13.104/2015, conhecida como Lei do Feminicídio, que qualifica a morte de uma mulher por ser mulher, passando a ser um crime hediondo, podemos ver que esses casos aumentaram em 316% segundo dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública. Mais preocupante ainda é quando fazemos o recorte racial e podemos ver que 64% das vítimas são mulheres negras, o que nos faz refletir como o país foi construído através da exploração e como se perpetua a cultura da violência e do estupro.
No que diz respeito à violência doméstica e familiar, mesmo com os avanços da Lei Maria da Penha (nº 11.340/2006) e a criação do Ministério das Mulheres, casos subnotificados dificultam a contabilização de dados oficiais. O Estado carece de políticas públicas para o enfrentamento da violência doméstica e nem sempre os atendimentos especializados, como delegacia da mulher 24 horas e proteção integral aos seus filhos, chegam aonde e quando precisam. As mulheres precisam de atendimento multidisciplinar como assistência social, auxílio jurídico e psicológico e segurança pública, além de acolhimento quando necessário.
Com relação a influência das redes sociais e o aumento do sexismo (discriminação baseada no gênero, historicamente baseada na superioridade masculina) e da misoginia (ódio contra as mulheres e a raiz de uma sociedade em que homens são valorizados), plataformas digitais usam seus algoritmos para monetizar discursos de ódio e aumentar o alcance de publicações que contenham esse tipo de conteúdo. Por isso, precisamos também lutar pela regulamentação das redes sociais, já que o impacto sobre os jovens e a normalização desse tipo de conteúdo está tornando esse discurso comum e afetando a autoestima das meninas e mulheres.
Sobre sexismo, a socióloga Heleieth Saffioti (2015, p. 37), afirma que “o sexismo prejudica homens, mulheres e suas relações”. Portanto, é indispensável que falemos sobre esse assunto com os homens, não sendo restrito apenas para as mulheres. Falar sobre masculinidade tóxica e quebrar padrões de posse ajuda a investir em uma educação que valoriza relações baseadas no respeito.
Evitar violência contra as mulheres e feminicídio requer ser uma função não só do Estado, mas da sociedade como um todo, com políticas públicas, educação, diálogo e responsabilidade coletiva. Assim, é necessário que estejamos nas ruas nessa luta pela vida das mulheres, pelo fim do feminicídio, pela soberania dos povos e pelo fim do patriarcado. Mulheres do mundo, uni-vos!



