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Quanto é a pipoca?

 Quanto é a pipoca?
  • Túlio Guitarrari é filósofo, técnico contábil, jornalista e pós-graduado em Ciência Política e Teologia.

Na sessão da Câmara Municipal de segunda-feira (23), assistimos àquilo que, metaforicamente, pode ser descrito como uma apresentação circense: a leitura do pedido de investigação contra o senhor prefeito, com vistas à sua cassação. Utilizo essa imagem por duas razões. A primeira é que a liberdade de crítica política me assegura esse direito. A segunda é que a falta de seriedade foi evidente desde a formulação e o protocolo do pedido na Câmara, sem embasamento plausível.

O resultado foi a necessidade de leitura de aproximadamente 90 páginas, já sob a previsibilidade de que a investigação seria barrada pela ampla maioria dos vereadores. Trata-se de tempo que poderia ter sido melhor empregado até o momento da votação, quem sabe na apresentação de pautas realmente necessárias e urgentes para a cidade. Em vez disso, permanece a recorrência de matérias protocolares, como denominação de ruas e praças ou concessão de títulos de cidadão barretense.

Ao afirmar que houve perda de tempo, não me coloco contra a fiscalização do Poder Executivo. Ao contrário: sou plenamente favorável. A fiscalização é prerrogativa legítima de qualquer cidadão e, sobretudo, dever institucional do Legislativo. Contudo, pelo que se observa, apenas dois vereadores têm questionado de forma sistemática as ações da atual gestão municipal.

É importante recordar que o próprio prefeito declarou, em entrevista, que precisou chamar vereadores para conversar e oferecer cargos a indicados políticos. Não menciono nomes — até porque não se sabe quais parlamentares foram contemplados. O prefeito sabe a quem concedeu cargos e deve esclarecê-lo à sociedade. Tampouco afirmo que todos os que votaram contra a investigação receberam cargos. No entanto, é legítimo que se formule a hipótese de que alguns possam ter sido contemplados para votar alinhados às demandas do Executivo, quaisquer que fossem.

Na mesma entrevista, o prefeito afirmou: “tivemos votação com 13, 14 votos”. A declaração reforça a metáfora inicial. Cabe ao chefe do Executivo prestar esclarecimentos e dar nomes aos fatos. Do contrário, é natural que surjam questionamentos. Essa, sim, seria uma investigação de interesse público inequívoco — embora seja difícil supor que vereadores eventualmente beneficiados aprovariam uma apuração dessa natureza.

Aos vereadores que não receberam cargos, cabe cobrar do prefeito transparência. Solicitem publicamente os nomes dos indicados contemplados. Caso contrário, em cada sessão polêmica, cada parlamentar precisará justificar seu voto e contar com a compreensão da população. Reitero: não citei nomes; citei a entrevista.

E, mais uma vez, o tempo tende a se esvair. Agora, um dos vereadores que mais tem exercido a fiscalização também enfrenta pedido de investigação. É o conhecido ditado: “pau que dá em Chico dá em Francisco”. Se a política local se resumir a essa sucessão de embates, Barretos não avançará como deveria.

Quando houver fato concreto e causa plausível, que se encaminhe à Câmara. Investigue-se, com seriedade e fundamento. Mas, se retornarmos a volumosos calhamaços sem consistência jurídica ou factual, já destinados ao arquivamento, o resultado será sempre o mesmo: perda de tempo e desgaste institucional.

O cidadão espera objetividade, transparência e compromisso com o interesse público. Se não for assim, respeitável público, comprem suas pipocas.

Paz e Bem.

Redação

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