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O tempo passa, o tempo voa

 O tempo passa, o tempo voa
  • Túlio Guitarrari é filósofo, técnico contábil, jornalista e pós-graduado em Ciência Política e Teologia.

Ontem passei pela Avenida 7, esquina com a Rua 12, e observei que o desmoronamento ocorrido no dia 13 de dezembro de 2025 permanece exatamente como estava. No dia do episódio, choveu forte. O prefeito publicou um vídeo nas redes sociais, explicou que a obra havia sido realizada três anos antes — em clara alusão à gestão anterior — e afirmou que tudo havia desmoronado novamente.

Em parte, concordo com ele. Não é apenas a chuva que causa transtornos dessa magnitude. Problemas dessa proporção costumam decorrer de serviço malfeito, uso de material de baixa qualidade e ausência de gestão eficaz.

No entanto, se esses fatores eram atribuídos à administração passada, também precisam ser considerados na atual. O desmoronamento ocorreu há dois meses e, até o momento, a única providência adotada foi — corretamente — interditar o trânsito na via. Sei que houve novos episódios de chuva e conheço as exigências burocráticas de um processo licitatório. Ainda assim, dois meses sem avanços concretos causam estranheza.

Ao menos a área já poderia ter sido limpa, com a retirada dos escombros. Criticar a gestão anterior é legítimo; agir de forma ainda mais lenta, não. A ex-prefeita Paula Lemos, por vezes, demorava em determinadas soluções, mas mantinha alguma presença no local, ainda que simbólica. O atual prefeito, até aqui, nem isso. Se, enquanto radialista, criticava a morosidade da ex-prefeita, agora, como chefe do Executivo, precisa demonstrar maior agilidade e eficiência.

Não me deterei no episódio do caminhão que afundou ao lado da Prefeitura após o asfalto ceder. Não é razoável atribuir ao prefeito a responsabilidade direta por esse tipo de ocorrência imprevisível. No entanto, a experiência serve de alerta: é preciso agir com rapidez e qualidade. Caso contrário, os buracos aumentam — e, com eles, as críticas e ironias da população.

A infraestrutura urbana de Barretos não foi concebida com grandes galerias pluviais capazes de escoar volumes intensos de chuva. Basta um temporal mais forte para que diversos pontos da cidade fiquem alagados. Em várias avenidas, sequer se veem bocas de lobo em número suficiente. É consequência lógica que o asfalto, muitas vezes de baixa qualidade, não suporte chuvas intensas, agravando posteriormente o surgimento de buracos.

Há, contudo, pontos críticos que exigem estudos de engenharia mais estruturados, como as rotatórias de acesso da Avenida 43 e da Avenida Rio Dalva. São áreas estratégicas, portas de entrada da cidade, de ligação com o centro e com bairros importantes. Quando esses trechos ficam comprometidos, a população literalmente se vê ilhada. Resolver esses gargalos exige vontade política e alocação efetiva de recursos. O prefeito que enfrentar e solucionar de forma definitiva esses problemas entrará para a história local. Sempre que chover forte, a população lembrará: “Antes era assim; foi o prefeito tal que resolveu”.

Por ora, não parece que será Odair Silva. O futuro nunca chega, embora o tempo continue passando — e voando. A Avenida Engenheiro Necker de Camargo é um exemplo. A obra nem sequer foi iniciada nesta gestão; bastava concluí-la. A previsão inicial apontava inauguração até o início de agosto de 2025. Depois, falou-se na semana da Festa do Peão. Em seguida, novembro. Até agora, nada — nem mesmo nova previsão.

Curiosamente, as únicas obras que começam e terminam dentro do prazo são aquelas realizadas por meio de parcerias público-privadas, como as alças de acesso e as marginais executadas em conjunto com a EcoVias. Sem a participação da concessionária, é legítimo questionar se esses projetos teriam saído do papel. São intervenções necessárias, e nesse ponto é preciso reconhecer que o prefeito teve sensibilidade ao manter a parceria.

Paz e Bem.

Redação

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