Sindicato dos servidores ou de interesses?
- Túlio Guitarrari é filósofo, técnico contábil, jornalista e pós-graduado em Ciência Política e Teologia.
A eleição para o Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Barretos promete ser movimentada. Trata-se de uma entidade de grande relevância para o município. Os servidores municipais representam um número expressivo na cidade, e um sindicato forte, que os represente de forma legítima, é fundamental. Justamente por isso — pela força da representação dos servidores — há tanto interesse em torno da disputa. Um interesse que pode ser legítimo, mas também pode ser político.
Um sindicato forte é combativo: luta pelos direitos de seus filiados e, com isso, beneficia toda a categoria, inclusive os não sindicalizados. Já um sindicato dominado por interesses políticos tende a ser condescendente, atuando para favorecer seus líderes e os acordos que estes possam firmar com os poderes instituídos, seja no Executivo, seja no Legislativo.
Na minha opinião, todos os servidores devem acompanhar atentamente o processo, analisar as propostas e, sobretudo, votar pensando no bem comum. Confesso que, por não ser funcionário público municipal, acompanharia essa eleição talvez sem o olhar jornalístico que ela merece. Mas algo me chamou a atenção — e com certa estranheza: um vídeo do prefeito publicado em suas redes sociais na última segunda-feira (6/10).
Nele, o chefe do Executivo afirma ter “compromisso com o respeito à democracia, à autonomia sindical e à vontade soberana dos servidores públicos municipais de Barretos”. Até aí, nada além de uma manifestação normal, democrática e aparentemente imparcial. No entanto, quando o prefeito acrescenta que “não há, da parte da Prefeitura ou deste prefeito, qualquer interferência ou preferência”, duas palavras saltam aos olhos: interferência e preferência.
Por que publicar um vídeo justificando algo que, em tese, estaria correndo bem? Por que essa necessidade de reafirmar o óbvio? Pensei: interferir seria, de fato, uma falta moral grave. Mas preferência? Nunca vi um prefeito que não tivesse o seu candidato preferido em uma eleição como essa! E, a bem da verdade, não há problema algum em o prefeito ter sua preferência — o que não pode é interferir.
Para minha surpresa, não pelo vídeo, mas pelas palavras proferidas, no dia seguinte (7/10) o atual presidente do sindicato, Dr. Jailton Rodrigues, concedeu entrevista ao jornalista Mazinho Dias, da Rádio Jornal. Nela, afirmou que decidiu tentar a reeleição devido a algumas decepções. A primeira, segundo ele, foi com seu concorrente na disputa, Ernande Samuel, que teria caminhado a seu lado durante a gestão e, inicialmente, negado convite do vereador Paçoca, feito junto ao prefeito, para lançar candidatura_. “Ele disse: ‘Jailton, eu vou te ajudar’. Um tempo depois, foi ao sindicato falar comigo e afirmou que o Paçoca, junto ao prefeito, queria que ele fosse candidato — e ele tinha resolvido aceitar. Achei louvável da parte dele me falar”_, contou Jailton.
Ainda na entrevista, com cerca de 30 minutos de duração, o presidente afirmou que, caso eleito, Ernande seria apenas “um fantoche” e que o sindicato se tornaria um “trampolim político” para pessoas que estariam “por trás dele”. Também acusou o prefeito de mentir em seu vídeo: “O Odair é outra decepção. Ele sabe que o que disse é mentira, e sabe que eu sei que ele está mentindo”.
De acordo com Jailton, ele teria recebido informações de pessoas da Secretaria de Educação de que o Executivo estaria mobilizando secretários para conversar com coordenadores e diretores, com o objetivo de fortalecer a chapa de Ernande — o candidato que “teria caminho aberto com o prefeito”.
Se tudo isso for verdade, é lamentável a situação a que chegamos. Um sindicato conduzido sob a influência direta do Executivo deixaria de defender os interesses dos servidores, como tem feito até agora. Não faço aqui campanha para candidato A ou B, apenas ressalto que as acusações merecem ser analisadas com cuidado, e que os servidores devem refletir sobre quem realmente defenderá seus interesses.
As chapas em disputa são:
- Chapa 1 – “Chapa Quente: Sindicato Forte e Independente”, encabeçada pelos servidores Jailton Rodrigues e Elaine Gomes;
- Chapa 2 – “União e Transparência”, liderada pelos servidores Ernande Samuel e Edna Dora.
Que cada servidor escolha com consciência o que considerar mais justo e correto.
Paz e bem a todos.


