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Split payment pode reduzir caixa das empresas em até 28% durante a reforma tributária

 Split payment pode reduzir caixa das empresas em até 28% durante a reforma tributária

Estimativa apresentada em debate aponta impacto sobre capital de giro durante a transição para a reforma tributária. (Foto: Daniel Fagundes/Trilux)

O split payment, mecanismo que separa os tributos no momento do pagamento de uma venda, pode reduzir o dinheiro disponível para as empresas em até 12% no início da transição tributária. No fim do processo, a queda pode chegar a 28%, segundo estimativa da Confederação das Associações Comerciais do Brasil (CACB).

A mudança começa em 2027, com a entrada da CBS, que substituirá PIS e Cofins. A transição para o IBS ocorrerá entre 2029 e 2032, quando ICMS e ISS darão lugar ao novo imposto. O modelo completo deve entrar em vigor em 2033.

Na prática, as empresas deixarão de manter temporariamente em caixa valores que pertencem ao Fisco. Esse dinheiro costuma ajudar no pagamento de fornecedores, salários e outras despesas. “Esse período de fluxo de caixa financiado por valores de tributos é retirado a partir desta mudança”, afirmou Anderson Trautman Cardoso, vice-presidente da CACB.

O impacto não será igual para todos. Micro e pequenas empresas que ficarem fora do regime de crédito e débito do IBS e da CBS não terão o mesmo efeito imediato. Já as companhias incluídas nesse sistema precisarão rever o capital de giro, que funciona como uma reserva para manter a operação enquanto o dinheiro das vendas não entra.

A primeira etapa do split payment deve ser opcional e voltada às transações entre empresas. Cada operação poderá escolher entre usar ou não o mecanismo. As vendas ao consumidor final não entrarão nessa fase inicial, segundo Cristiane Coelho, diretora-presidente da Confederação Nacional das Instituições Financeiras (Fin).

A regulamentação seguirá as regras da Lei Complementar 214, de 2025, alterada pela LC 227/2026. O Comitê Gestor do IBS e a Receita Federal ainda definirão os detalhes da implantação.

Empresas de todos os tamanhos precisarão revisar contratos, sistemas fiscais, fornecedores, logística, créditos tributários e incentivos. A nota fiscal também ganhará peso: ela passará a alimentar uma cadeia integrada entre empresas, instituições de pagamento e órgãos públicos.

O setor produtivo cobra segurança nessa integração. Qualquer falha pode afetar o repasse dos valores e apertar ainda mais o caixa das companhias. “De fato, teremos uma perda de fluxo financeiro, mas nós precisamos de segurança”, disse Trautman.

Fonte: Brasil 61

Redação

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