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Vou torcer em 2030 desesperançoso, mas vou torcer.

 Vou torcer em 2030 desesperançoso, mas vou torcer.
  • Tales Augusto Silveira Reis é publicitário com ênfase em marketing, formado pela PUC – Campinas.

O título já é um disclaimer do que vou dizer aqui. Espero, sinceramente, estar lá na Espanha/Portugal vendo a seleção que eu tanto amo. Mas sim, estou desesperançoso.

Perdemos uma oportunidade. Depois de um ciclo ruim, bem ruim, conduzido pelo sr. Ednaldo Rodrigues (que, graças a Deus, não senta mais na cadeira de presidente da CBF), com várias trocas de técnico e muitos escandalos.

Ancelotti poderia ter usado essa Copa como laboratório e já jogado nossas expectativas de 2026 lá embaixo, priorizando a construção de 2030. Fez o inverso: chamou todo mundo que já estava na fila do INSS, preterindo nomes como João Pedro.

Não faz sentido levar três goleiros veteranos quando pelo menos uma dessas vagas poderia ter sido usada para dar chance a jogadores mais jovens, já preparando o terreno pra 2030. E aqui entra o caso do Alisson: mesmo com a falta de confiabilidade que ele vem demonstrando, Ancelotti preferiu mantê-lo como titular. O que, para o próximo ciclo, aponta objetivamente para um nome que precisa ser cortado agora: Taffarel. Foi um ótimo goleiro, mas se tornou um péssimo preparador. Esse senhor merece ser escorraçado da comissão técnica, ele e as péssimas influências que carrega junto.

E existe um caminho conhecido pra esse tipo de reconstrução. Mesmo com o pós-2014 sendo horrível pra eles, lembro bem da estratégia que deu à Alemanha a 4ª estrela: sacrificaram 2010 para dar rodagem a nomes como Özil, Kroos e companhia. Foi um planejamento frio, duro, mas inteligente. Ancelotti teve a chance de fazer o que Löw fez, e, mesmo com alguns jogadores na idade certa e com bagagem de Copa pra 2030, muitos outros não vão chegar lá com a experiência que essa Copa poderia ter dado. A renovação ficou pela metade. Ficou tímida. Ficou covarde.

E aí entra a parte que mais me incomoda, porque é fácil demais ligar os pontos, e eu queria estar errado, mas talvez queira mais ainda estar certo: a sensação de que a convocação do Neymar, um ex-jogador em atividade, mais preocupado com a vida fora de campo do que cuidar da carreira, veio amarrada na renovação do próprio Ancelotti. Se isso for verdade, é só mais um tapa na cara de quem torceu, e uma falta de respeito absurda com quem comprou esse circo armado.

É triste demais ver toda essa mobilização para 2026 sabendo que, do jeito que foi conduzido, 2030 promete repetir os mesmos erros. A sensação é de que estamos sempre começando do zero, sempre apagando incêndio, nunca construindo.

E, ainda assim, vou torcer. Vou torcer desesperançoso, mas vou torcer.

E espero, de verdade, estar muito, muito errado.

Redação

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