Osvaldo Monsef conta como criou uma comunidade de apreciadores de charutos e expandiu o negócio pelo e-commerce
O que começou como um hábito entre amigos acabou se transformando em um negócio que reúne clientes de diferentes cidades, eventos de harmonização e uma comunidade formada por apreciadores de charutos. Essa é a trajetória do empresário Osvaldo Monsef, proprietário da Brima Cigars, em Barretos.
Assista à entrevista completa no YouTube:
Durante entrevista ao O Sertanejo, Monsef contou que a relação com os charutos começou ainda na juventude, em 1994, quando cursava faculdade em Uberaba. Na época, amigos mais velhos o apresentaram ao universo da degustação.
“Foi na Copa de 1994. Eu fazia faculdade em Uberaba e os amigos mais velhos gostavam de coisas boas. Não teve jeito, tive que entrar no mundo deles”, relembrou.
A paixão permaneceu por décadas. Antes de empreender, Osvaldo trabalhou com propriedades rurais, seguindo a tradição da família ligada ao campo. Mais tarde ingressou no mercado imobiliário. O charuto, porém, sempre ocupou um espaço especial em sua rotina.
Hoje ele procura derrubar um dos principais mitos sobre esse mercado.
Segundo o empresário, muita gente ainda acredita que charuto é um produto reservado para pessoas de alto poder aquisitivo. Na visão dele, essa realidade mudou. “Hoje o charuto é muito democrático. Tem produto para todos os bolsos e de muito boa qualidade. Em alguns casos, custa o preço de uma cerveja”, afirmou.
Para quem nunca experimentou, Osvaldo recomenda não começar sozinho. Ele compara a primeira experiência a provar um vinho pela primeira vez: uma boa orientação faz diferença e pode evitar uma impressão equivocada. “Quem procura alguém que já conhece esse universo aumenta muito a chance de ter uma boa experiência e querer repetir”, explicou.
Uma empresa que nasceu entre amigos
A Brima Cigars não surgiu com um plano de negócios elaborado.
Osvaldo conta que comprava charutos para consumo próprio. Os amigos passaram a pedir algumas unidades. Vieram novos pedidos. Pessoas de outras cidades também demonstraram interesse. Aos poucos, ele criou um grupo no WhatsApp com cerca de 40 participantes para organizar as encomendas.
A brincadeira cresceu.
Depois surgiu o site de vendas. Vieram os perfis nas redes sociais. O apartamento onde hoje funciona a empresa também entrou nessa história quase por acaso. “Quando cheguei aqui tinha um sofá, duas cadeiras e uma caixa com 20 charutos. Era só isso. O resto era vontade de trabalhar”, recordou.
Charutos de vários países
Quem acessa o catálogo da Brima encontra produtos de diferentes origens, como Brasil, Cuba, Nicarágua e República Dominicana.
Osvaldo explica que Cuba construiu a fama histórica do charuto. Depois do embargo econômico à ilha, outros países do Caribe fortaleceram sua produção e conquistaram espaço no mercado internacional. O Brasil também ganhou relevância.
Segundo ele, a folha que reveste o charuto — chamada de capa, equivalente à casca que envolve um alimento — produzida no Brasil está entre as mais valorizadas pelas grandes fabricantes internacionais.
Ao mesmo tempo, ele afirma que comercializar tabaco exige uma série de exigências legais. “É um produto controlado. Trabalhamos com empresa regularizada, Vigilância Sanitária e todas as licenças necessárias”, disse.

Um lounge com vista para Barretos
A loja física funciona na cobertura do Edifício Mirella, na Região dos Lagos.
O espaço recebe visitantes mediante reserva e oferece um ambiente para degustação de charutos acompanhado de bebidas e conversas entre apreciadores.
Segundo Osvaldo, o local acabou se tornando um ponto de encontro. “Um foi apresentando o outro. Hoje temos uma pequena comunidade de apreciadores”, contou.
Além da loja virtual, a empresa mantém três grupos no WhatsApp, onde divulga lançamentos, promoções e eventos exclusivos para os participantes.
Degustações e harmonização
Entre as atividades promovidas pela Brima estão encontros de harmonização entre charutos e vinhos.
O empresário lembra que um dos eventos mais recentes reuniu 16 participantes e contou com a presença do sommelier André Diniz, especializado na combinação entre vinhos tintos e charutos.
Novos encontros já estão programados. “Temos mais três eventos confirmados até o fim do ano, embora as datas ainda não estejam definidas”, revelou.
Tecnologia dentro de um negócio tradicional
O crescimento da empresa também passou pela participação do filho, Francisco Monsef.
Depois de retornar dos Estados Unidos, ele assumiu o desenvolvimento do e-commerce, das campanhas de mídia paga e da produção de conteúdo para as redes sociais.
Osvaldo acredita que essa parceria impulsionou a expansão da marca. “O Francisco trouxe toda essa parte tecnológica. Eu continuo mostrando a cara da empresa. Sempre gostei de explicar cada produto e conversar diretamente com os clientes”, afirmou.
Convite para quem tem curiosidade
Ao encerrar a entrevista, Osvaldo deixou um recado para quem ainda nunca experimentou um charuto. “Não tenham receio. Com orientação, cada pessoa pode começar pelo produto adequado ao seu perfil, harmonizar com uma boa bebida e viver uma experiência diferente. Tenho certeza de que muita gente vai querer voltar.”



