’12’: a peça que emociona do primeiro ao último ato
A peça 12, da Cia Goitacá, é um monólogo estrelado por Gegê Itaparica, dividido em doze atos que conduzem o espectador por vivências profundamente trágicas com uma sensibilidade impressionante. Fazia muito tempo que eu não assistia a um espetáculo capaz de provocar uma resposta emocional tão intensa.
Poético e cheio de simbolismos, o texto acompanha um eu lírico que atravessa diferentes momentos da existência em um verdadeiro carrossel de emoções. A paixão, o vício, a tristeza e o luto surgem não apenas como temas, mas como experiências compartilhadas com o público, tornando impossível permanecer indiferente.
Gegê Itaparica sustenta sozinho toda a montagem com uma atuação de rara intensidade. Sua interpretação é delicada quando precisa ser, devastadora quando deve ser, e faz com que cada palavra encontre seu peso exato. É uma atuação que não parece representar um personagem, mas expor uma parte da própria condição humana.
No fim, 12 é uma obra-prima. Os elogios dificilmente conseguem traduzir a experiência que a peça proporciona, e qualquer crítica parece pequena diante da força do espetáculo. Mais do que uma peça para ser assistida, 12 é uma obra para ser vivida e carregada pelo espectador muito depois do último ato.



