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Empresário responsável pela obra contesta valor de R$ 14 milhões e apresenta novos números em depoimento à CPI da Praça de Barretos

 Empresário responsável pela obra contesta valor de R$ 14 milhões e apresenta novos números em depoimento à CPI da Praça de Barretos

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga a revitalização da Praça Francisco Barreto, avançou para a segunda oitiva de testemunhas consideradas centrais para o andamento das apurações. A sessão realizada na quinta-feira (16) concentrou depoimentos técnicos e trouxe novos elementos sobre custos, execução e responsabilidades na obra.

Entre os ouvidos estiveram o engenheiro civil da Secretaria de Obras, Luiz Carlos Oliveira Silveira, o ex-chefe de gabinete Cilas Elias da Silva e o empresário Everton Reis de Paula, proprietário da empresa responsável pela execução do projeto.

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Engenheiro detalha medições e origem dos aditivos

Durante seu depoimento, o engenheiro Luiz Carlos afirmou que acompanhou diretamente a execução da obra e participou das medições junto ao engenheiro da empresa contratada. “As medições, normalmente, foram feitas por mim e pelo engenheiro da empresa”, afirmou.

Ele explicou que a Secretaria de Obras atuava na fiscalização e execução, mas não na concepção do projeto ou autorização de mudanças contratuais. “Nós recebemos tudo pronto. Projeto, planilha, aditivos. A Secretaria de Obras apenas executa e acompanha”, declarou

Segundo o engenheiro, o contrato inicial da obra foi de aproximadamente R$ 7,65 milhões, com a realização de dois aditivos financeiros ao longo da execução. Ele também informou que foram realizadas 14 medições no total, utilizadas como base para pagamentos.

Outro ponto abordado foi o custo de itens específicos, como a instalação de policarbonato. “A chapa em policarbonato […] foi de R$ 392.849,78”, disse.

Ex-chefe de gabinete relata atuação limitada

Já o ex-chefe de gabinete Cilas Elias da Silva afirmou que não teve particpação direta na parte técnica ou administrativa da obra, restringindo sua atuação a visitas pontuais para verificar a execução dos serviços. “Participação em papel, planilha, projeto, nada. Participação zero”, declarou.

Empresário contesta valores e apresenta números detalhados

O depoimento do empresário Everton Reis de Paula concentrou os principais pontos de tensão da oitiva, especialmente em relação aos valores da obra e sua execução.

Ele contestou a estimativa de custo amplamente mencionada durante as discussões. “Uma coisa que está equivocada […] não é 14 milhões. É 11,4 milhões”, afirmou.

Segundo Everton, o valor final da obra, considerando aditivos, chegou a cerca de R$ 11,4 milhões, dos quais aproximadamente R$ 2 milhões ainda não teriam sido pagos pelo município. “Nós recebemos R$ 9 milhões e continua devendo”, declarou.

O empresário também detalhou custos operacionais, como o uso de caminhões-pipa durante a obra. “Essa obra durou nove meses e precisava ser lavada todos os dias”, explicou, ao justificar um gasto de cerca de R$ 100 mil com água.

Complexidade da obra e justificativa para aditivos

Everton destacou ainda que a obra, embora visualmente simples, envolveu alta complexidade técnica. “É uma obra de aproximadamente 20 mil metros quadrados, com infraestrutura subterrânea, drenagem, energia e água”, afirmou.

Sobre os aditivos contratuais, ele argumentou que alterações são comuns em obras públicas. “Uma obra é licitada com projeto básico. Quando começa a execução, surgem necessidades de ajustes”, disse.

Debate sobre qualidade e manutenção

Durante a sessão, também houve questionamentos sobre problemas estruturais apontados na praça, como pedras soltas e falhas em coberturas.

O empresário atribuiu parte desses problemas à falta de manutenção e ao uso inadequado do espaço. “A praça foi feita para pedestres, mas recebe caminhões de até 30 toneladas”, afirmou.

Ele também mencionou que materiais como pedra portuguesa exigem manutenção periódica para garantir durabilidade.

Próximos passos da CPI

A comissão segue na fase de oitivas e deve analisar documentos técnicos e financeiros relacionados à obra. Os depoimentos colhidos serão utilizados para compor o relatório final, que poderá indicar responsabilidades administrativas ou recomendar encaminhamentos aos órgãos de controle.

A investigação busca esclarecer se houve irregularidades na execução, nos custos e na qualidade dos serviços realizados na revitalização da Praça Francisco Barreto.

Igor Sorente

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