Barretos EC inicia venda de ingressos para estreia no Paulistão A4 na segunda-feira (26)
2026 já começou em Barretos — e o voto pode estar em disputa antes mesmo de você perceber
Vou exagerar um pouco — porque às vezes só o exagero ilumina o óbvio. Se você acha que eleição começa no ano da eleição, sinto dizer: em Barretos, 2026 já está rodando faz tempo. Nos bastidores. Nos abraços calculados. Nos apoios silenciosos. Nos sorrisos para a foto e nas ligações que ninguém vê.
A política, como sempre digo, não é um jogo de xadrez jogado em praça pública. É um jogo de truco, mesa fechada, sinais combinados. E Barretos está sentada numa mesa grande.
Vamos aos personagens centrais.
O prefeito Odair Silva, eleito em 2024 pelo Republicanos, chegou ao cargo com apoio direto do governador Tarcísio de Freitas. Isso não é detalhe: governador não entra em eleição municipal por caridade. Entra porque enxerga projeto, palanque futuro, alinhamento estratégico.
Ao lado de Odair, está o vice-prefeito Mussa Calil Neto, filiado ao MDB. E aqui começa a novela.
O MDB não é um partido; é um condomínio de poder. E o síndico regional atende pelo nome de Baleia Rossi, deputado federal, com base eleitoral em Ribeirão Preto e forte influência em toda a região. Baleia — convém lembrar — é um dos grandes articuladores de emendas parlamentares para o Hospital de Amor, antigo Hospital de Câncer de Barretos. Milhões de reais destinados. Relação sólida. Recíproca.
E aqui entra a figura mais poderosa dessa equação, embora nunca tenha disputado uma urna: Henrique Prata.
É impossível entender a eleição de Odair Silva sem entender Henrique Prata. Ponto. Quando as pesquisas indicavam favoritismo de Raphael Oliveira, foi Henrique quem virou o tabuleiro. Mobilizou funcionários, engajou a estrutura da Fundação Pio XII, colocou gente na rua. Não pediu voto — indicou caminho. E quem conhece política sabe: quando uma instituição desse tamanho se movimenta, a eleição muda de lado.
Agora, a pergunta que ninguém quer fazer em voz alta: se Mussa Calil Neto sair candidato a deputado estadual em 2026 pelo MDB, Odair Silva vai apoiar quem?
Vai apoiar o vice? Vai apoiar Baleia Rossi? Vai subir no mesmo palanque de um partido que, historicamente, sabe jogar dos dois lados?
Ou Odair vai seguir outra rota.
Porque do outro lado do tabuleiro estão aliados importantes: o deputado estadual Danilo Campetti, também do Republicanos, de São José do Rio Preto, candidato natural à reeleição. E mais acima, mirando Brasília, Vinicius Marchese, do PSD, hoje presidente do CONFEA.
Não é segredo para ninguém que o sistema CREA esteve ao lado de Odair nas eleições de 2022 e 2024. Apoio político, técnico, institucional. E política, leitor, tem memória. Quem recebe, devolve. Não em discurso — em cargo, em secretaria, em apoio formal.
E aqui está o nó da história.
Odair governa uma base multipartidária, mas precisará escolher lado em 2026. Não dá para abraçar todo mundo quando a campanha esquenta. Ou se agrada o MDB regional, com Baleia e Hospital de Amor no radar, ou se mantém fidelidade ao Republicanos e ao sistema que ajudou a elegê-lo e hoje ocupa espaços no governo.
Barretos, portanto, não discute apenas nomes. Discute rumos. Discute quem manda, quem influencia, quem financia, quem articula. Discute se a cidade será peça de um projeto estadual, federal ou apenas moeda de troca num grande acordo.
E aí deixo a provocação — porque jornalismo que não incomoda vira panfleto: quem decide o voto em Barretos: o eleitor ou os acordos feitos longe da urna?
Pense nisso. Porque 2026 pode parecer longe, mas suas consequências já estão batendo à porta.
