Sala vazia, espera longa e pacientes sozinhos: o que está acontecendo na UPA de Barretos?
Sala vazia, espera longa e pacientes sozinhos: o que está acontecendo na UPA de Barretos?
Na última segunda-feira (14), o vereador Rodrigo Malaman (PP) colocou a prefeitura de Barretos contra a parede. Ele apresentou um documento oficial cobrando explicações urgentes sobre o atendimento na UPA 24h. O foco da investigação mira duas frentes claras. Uma envolve o tempo excessivo que as pessoas passam esperando. A outra toca em um ponto mais sensível de humanidade no trato com os doentes.
Pacientes estão ficando completamente sozinhos. Malaman recebeu denúncias de que funcionários da UPA estão proibindo a permanência de acompanhantes na sala de espera. Imagine você levar um familiar passando mal para o médico e ter que deixá-lo sozinho em uma cadeira, sem saber o que acontece lá dentro. O vereador quer saber quem inventou essa regra. Ele questionou formalmente se existe algum papel, protocolo ou lei que autorize separar o doente de quem o acompanha.
Um episódio específico acendeu o alerta. No dia 11 de agosto, durante a tarde, profissionais da unidade retiraram pessoas que acompanhavam doentes na recepção. O parlamentar quer descobrir se a Secretaria de Saúde investigou esse caso. Ele exige saber quais atitudes a pasta tomou após a denúncia.
A lentidão no atendimento também entrou no radar. Moradores relatam que aguardam horas por uma consulta. O detalhe intrigante é que, muitas vezes, a UPA parece vazia. É a mesma sensação de entrar em uma padaria sem fila e o atendente demorar meia hora para entregar um pão. Para entender essa matemática estranha, Malaman exigiu que a prefeitura abra os registros do sistema. Ele solicitou os dados detalhados dos últimos seis meses. O município precisa revelar exatamente quanto tempo cada pessoa esperou entre chegar ao local, passar pela triagem, fazer exames e finalmente receber alta.
O documento protocolado na Câmara também investiga a rotina dos funcionários. A prefeitura terá que mostrar a escala de trabalho da unidade. Malaman pediu o número exato de médicos, enfermeiros e técnicos que deveriam trabalhar em cada turno. Ele comparou isso com quem realmente bateu o ponto nos últimos seis meses. O objetivo é mapear se faltaram profissionais, se ocorreram cortes na equipe ou se equipamentos quebraram recentemente.
Para fechar o cerco, o vereador exigiu cópias de todos os comunicados internos, ordens de serviço e registros de reclamações da UPA.
A prefeitura tem um prazo legal para entregar essa papelada. Se os documentos não provarem uma justificativa técnica e legal para expulsar os acompanhantes, o município terá que responder formalmente por desrespeitar os direitos básicos dos pacientes.


