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Em Barretos, Chinaglia critica renúncias fiscais e defende “disputa de valores” para eleição

 Em Barretos, Chinaglia critica renúncias fiscais e defende “disputa de valores” para eleição

Deputado Arlindo Chinaglia (PT) — Foto: Divulgação

Em encontro com correligionários do Partido dos Trabalhadores (PT) realizado na quinta-feira (22), em Barretos, o deputado federal Arlindo Chinaglia (PT-SP) abordou temas como renúncia fiscal, refinanciamento de dívidas tributárias (Refis), comunicação política, polarização ideológica e estratégias para a disputa eleitoral. Na fala, o parlamentar também citou avaliações sobre a pandemia, o cenário internacional e o papel das redes sociais no debate público.

Críticas à renúncia fiscal e ao “Refis”

Ao comentar a arrecadação e mecanismos fiscais, Chinaglia afirmou que parte do sistema favorece grupos com maior poder econômico e influência política, mencionando renúncias e renegociações de dívidas.

“Renúncia fiscal, ano passado, foi de 850 bilhões”, disse. Em seguida, citou o Refis como um instrumento que, segundo ele, pode beneficiar devedores recorrentes: “Eles vão deixando em dívidas, dívidas, dívidas, aí faz um negócio chamado refis, que é o refinanciamento de dívida”.

O deputado também relatou um episódio que, segundo ele, ocorreu na Câmara durante a tramitação de um programa de refinanciamento: “O relator foi um deputado do MDB de Minas Gerais. Só das empresas dele, ele se perdoou 50 milhões”.

“Política é poder”: disputa e finalidade do Estado

Na avaliação do parlamentar, o debate político envolve escolhas sobre quem é beneficiado pelas decisões de governo. Ao tratar do papel do Estado, Chinaglia defendeu que políticas sociais são deveres do poder público.

“Política é poder, política é disputa, política é um instrumento de transformação ou de opressão”, afirmou. Para ele, quem exerce poder se depara com duas direções: “Ou você usa esse poder para beneficiar os oprimidos da terra… ou você atua para fortalecer ainda mais aqueles que… usam o suor do rosto dos outros”.

Sobre programas de transferência de renda, o deputado sustentou: “Não é a favor um governo ter um programa de distribuição de renda, não. Na minha percepção, é obrigação”.

Pandemia e avaliação sobre o bolsonarismo

Em um trecho voltado à polarização, Chinaglia disse não ver, na experiência dele, argumentos favoráveis ao legado do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no Congresso e concentrou críticas na condução do período da pandemia.

“Eu nunca encontrei um bolsonarista, nem no Congresso Nacional, que conseguisse dizer uma única coisa que o governo Bolsonaro fez de bom”, declarou. Sobre a covid-19, afirmou: “Ele não comprou vacina no tempo certo, atrasou a compra”.

O deputado também mencionou, de forma opinativa, estudos e estimativas — sem detalhar quais documentos ou autores — ao dizer: “Tem estudos na USP… que demonstram que ele, Bolsonaro, individualmente… é responsável por 300 mil mortes”.

Comunicação, redes sociais e “disputa de valores”

Ao falar das dificuldades de comunicação política, Chinaglia disse que divulgar entregas de governo, por si só, não resolve e defendeu uma disputa baseada em valores.

“Eu sempre achei que não adiantava, não era suficiente o governo Lula mostrar o que está fazendo. Não comove”, afirmou. Em seguida, concluiu: “Eu acho que nós temos que entrar na disputa de valores”.

Ele também citou o peso das plataformas digitais no debate político e sugeriu mudanças regulatórias durante o processo eleitoral: “As big techs do lado deles, os algoritmos que abaixa um e levanta o outro… a gente tem que trabalhar na regulamentação durante o processo eleitoral”.

Estratégia eleitoral: alerta contra “clima de vitória” ou “derrota”

Ainda na linha estratégica, o deputado defendeu cautela com pesquisas e com a forma de entrar na disputa.

“Eu não trabalho de maneira nenhuma com a ideia que o Lula já ganhou”, disse, lembrando a diferença de votos entre turnos no pleito anterior. Para ele, há dois riscos: “Você entrar na campanha achando que já ganhou. O outro risco é pior, é se você entrar na campanha achando que já perdeu”.

Chinaglia encerrou a fala indicando que considera necessário organizar atuação, planejar ações e priorizar diálogos fora de reuniões internas, com escuta em bairros e articulação local.

“Nada melhor… do que a gente definir um plano de trabalho e começar já”, finalizou.

Redação

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