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Corredor de UPA não é lugar para espera indefinida
Gente doente aguardando atendimento e permanência prolongada em corredores de uma unidade de pronto atendimento. Se essa situação está ocorrendo, não pode ser tratada como algo normal — e muito menos como uma realidade à qual o cidadão deva simplesmente se acostumar.
Na segunda-feira (14), a Câmara Municipal trouxe o assunto para o centro do debate. O vereador Tiagão Alves apresentou requerimento cobrando esclarecimentos e providências em relação à situação da UPA. É uma iniciativa que merece ser acompanhada de perto pela população.
A UPA tem uma função específica dentro da rede de saúde. É uma unidade destinada ao atendimento de urgência e emergência, com fluxo que precisa funcionar de maneira adequada. Quando pacientes permanecem por períodos prolongados aguardando uma solução, é legítimo perguntar o que está acontecendo e quais medidas estão sendo adotadas para resolver o problema.
O ponto central não é procurar um culpado antes de conhecer todos os fatos. É justamente obter respostas.
Se existem pacientes aguardando transferência para leitos hospitalares, quantos são? Há quanto tempo esperam? Quais são os critérios utilizados? Quantas solicitações de transferência estão pendentes? Qual é a participação da rede estadual nesse processo? E quais providências estão sendo adotadas pela administração municipal?
São perguntas objetivas. E a população tem o direito de receber respostas igualmente objetivas.
Também é preciso esclarecer a responsabilidade de cada esfera de governo. Se a dificuldade está relacionada à disponibilidade de leitos, que isso seja informado com transparência. Se existem medidas que podem ser adotadas pelo município, que sejam apresentadas. O cidadão não pode ficar no meio de uma discussão administrativa sem saber quem está fazendo o quê.
O requerimento apresentado na Câmara cumpre justamente uma função importante do Legislativo: fiscalizar, questionar e buscar informações sobre um serviço público que afeta diretamente a vida das pessoas.
Agora, é esperar as respostas.
A Prefeitura foi provocada a explicar a situação. Os órgãos responsáveis pela rede de saúde também precisam apresentar os dados que permitam compreender o problema. Mais importante do que trocar acusações é saber quantos pacientes estão nessa situação, por quanto tempo estão esperando e o que será feito para evitar que o cenário se repita.
Saúde pública não combina com silêncio, improviso ou respostas genéricas.
E essa cobrança não deve terminar com um requerimento. A Câmara precisa acompanhar as respostas, cobrar prazos e verificar se as providências anunciadas estão, de fato, sendo executadas.
O cidadão que procura uma UPA não está pedindo favor. Está utilizando um serviço público que existe justamente para atender quem precisa.
Por isso, a pergunta que fica é simples: qual é a solução concreta para quem está esperando?
É isso que a população quer saber. E é isso que o poder público precisa responder.


