Quem sobe na tribuna tem que estudar: audiência pública fortalece a luta do movimento “Somos todas professoras”
- Michela Rita é historiadora, gestora pública e professora, com MBA em Gestão Escolar.
A audiência pública realizada na última sexta-feira, 22 de maio, na Câmara Municipal, marcou um importante momento para a luta das profissionais da Educação Infantil e para o fortalecimento do movimento “Somos Todas Professoras”. O encontro reuniu educadoras, representantes da sociedade civil e lideranças políticas em defesa da implementação da Lei 15.326/2026, considerada uma conquista histórica da categoria.
Participaram da audiência a deputada estadual Luciene Cavalcante, a advogada Eliana Lúcia Ferreira, responsável pela representação jurídica do movimento em todo o Brasil, e a co-deputada Sirlene Maciel, da Bancada Feminista.
A audiência aconteceu após meses de silêncio institucional entre os dias 6 de janeiro e 22 de maio. Durante esse período, profissionais da educação aguardavam respostas do Poder Executivo sobre a aplicação da nova legislação, que garante que todas as trabalhadoras que atuam em creches e pré-escolas sejam oficialmente reconhecidas como professoras.
Conhecida nacionalmente como a “Lei Somos Todas Professoras”, a Lei 15.326/2026 assegura o direito ao Piso Salarial Nacional do Magistério, ao plano de carreira e ao reconhecimento das profissionais que historicamente foram chamadas de pajens, monitoras ou auxiliares, mesmo exercendo funções docentes.
Um dos momentos mais marcantes da audiência ocorreu durante a fala da representante do Poder Executivo, que demonstrou desconhecimento sobre o texto da própria legislação debatida. A situação gerou forte reação entre as professoras presentes.
Foi nesse contexto que a deputada Luciene Cavalcante fez a declaração que marcou a noite: “Quem sobe na tribuna tem que estudar”. A frase sintetizou o sentimento de indignação diante da falta de preparo e da ausência de diálogo enfrentada pelas profissionais da Educação Infantil.
A audiência reafirmou a força da mobilização coletiva e a importância da valorização das professoras, que seguem organizadas para garantir o cumprimento efetivo da nova lei e o reconhecimento de seus direitos.



