Por que Barretos precisa olhar para frente
Política é jogo de longo prazo. Quem acha que se governa na base da irritação, do impulso ou da caça às bruxas ainda não entendeu como funciona o Brasil — e muito menos uma cidade como Barretos.
Em municípios médios, como o nosso, tudo é amplificado: a virtude vira exemplo; o erro vira sentença. E a maneira como o governante lida com divergência diz mais sobre seu futuro do que qualquer obra inaugurada com fita e tesoura.
Vamos falar claro, do jeito que o povo gosta.
Barretos tem duas referências políticas muito distintas convivendo no mesmo cenário. De um lado, uma postura que reage mal à crítica, que enxerga oposição como inimigo e que parece acreditar que administrar é impor. Do outro, alguém que conhece o xadrez da política, que atravessou décadas sem se queimar, que dialoga com empresários, com lideranças sociais, com imprensa, com adversários — e segue sendo respeitado.
Não é difícil perceber de quem estou falando.

Mussa Calil Neto não é novidade. E isso, em política, é ativo estratégico. Ele disputou prefeitura, foi vice pelo PT em 2008, enfrentou eleição majoritária em 2004 e 2012, tentou voo federal lá atrás em 1998. Perdeu? Perdeu algumas. Ganhou? Também. Mas nunca saiu do jogo menor, nunca apelou para a política pequena. Isso é maturidade.
Quem acompanha a história da cidade sabe: levar a Festa do Peão do antigo recinto para o Parque do Peão foi chamado de loucura. Loucura, nada. Foi visão. Foi coragem. Foi decisão estrutural que mudou a escala de Barretos no mapa do Brasil e do mundo. Hoje celebramos 70 anos da festa porque houve quem tivesse ousadia quando era arriscado ousar.
Isso não é marketing. É biografia.

Mussa foi secretário de Saúde. Falava em central de agendamento por 0800 e internet quando isso ainda parecia ficção administrativa para muita prefeitura. Defendia investimento pesado em saúde — 26% do orçamento — antes de virar pauta nacional. Sempre com discurso de gestão, não de guerra cultural.
Recebeu o Troféu Dom José de Mattos. Foi homenageado por lideranças empresariais, pelo Hospital de Amor, por Os Independentes. Não porque é simpático. Porque construiu pontes.
E política é ponte. Não muro.
A ciência política mostra — e eu insisto nisso — que líderes que transformam divergência em perseguição estreitam sua base social. Eles passam a governar para os seus. E só para os seus. No curto prazo, isso dá aplauso fácil. No médio prazo, dá isolamento. No longo prazo, dá irrelevância.
Barretos não é bolha. É cidade complexa, plural, com imprensa ativa, empresários atentos, sociedade civil organizada. Não se constrói futuro tentando enquadrar quem pensa diferente.
Quem conhece a dinâmica eleitoral sabe: memória política importa. E reputação é patrimônio. Mussa tem reputação de agregador. Sabe que jornalista pergunta. Sabe que vereador critica. Sabe que adversário existe. E entende que isso faz parte do jogo.
Ele próprio disse no dia da posse: “Vou continuar sendo o Mussa de sempre. Sem hipocrisia.” Essa frase é política pura. É sinalização de identidade consistente. Ele não precisa reinventar personagem.

Já outros confundem popularidade momentânea com hegemonia estrutural. Confundem microfone com liderança. Confundem mandato com eternidade.
Não é assim que funciona.
O eleitor brasileiro — inclusive o barretense — tolera erros. O que ele não tolera é arrogância contínua. O que ele não aceita é uso do poder como ferramenta de intimidação indireta. O povo pode até não acompanhar todos os bastidores, mas sente o clima. E clima pesa.
Tudo passa. Mandato passa. Aplauso passa. A tensão passa.
O que fica é a lembrança de quem construiu e de quem dividiu.
Se olharmos friamente, com método, com dados e com história, fica evidente: quem agrega amplia horizonte político. Quem persegue encurta a própria estrada.
Barretos já viu líderes que deixaram legado. E já viu outros que ficaram pelo caminho.
O futuro político pertence a quem entende que cidade não é trincheira — é comunidade.

E, goste-se ou não, Mussa Calil Neto demonstra, há décadas, que sabe exatamente qual é o jogo.
A pergunta que resta é simples: Barretos quer administração de grupo ou projeto de cidade?
Porque, no fim das contas, a urna pode até demorar. Mas a política, ela sempre responde.


