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O paradoxo Barretos: pequena no tamanho, grande no potencial — e travada na decisão

 O paradoxo Barretos: pequena no tamanho, grande no potencial — e travada na decisão

Se números falassem sozinhos, Barretos já estaria em outra prateleira. Mas números, como votos, precisam de interpretação. E é aí que a política — no seu sentido mais profundo — entra em cena.

Segundo o IBGE, Barretos tem 122.485 habitantes, com estimativa de 126.957 pessoas em 2025. Não é uma metrópole. Não é sequer uma cidade média grande. É uma cidade compacta, administrável, onde decisões corretas rendem muito mais rápido do que em gigantes urbanos engessados.

Agora vem o dado que deveria estar estampado em outdoor: 98,52% da população entre 6 e 14 anos está escolarizada. Traduzindo do “economês”: quase todas as crianças estão na escola. Isso é ouro puro em termos de capital humano. Países ricos sonham com isso. Cidades brasileiras raramente alcançam.

E tem mais. O PIB per capita de Barretos é de R$ 54.826,42 (2024). Isso coloca a cidade praticamente empatada com São José do Rio Preto, que registra R$ 54.934,44, mas com uma diferença brutal: Rio Preto tem cerca de 480 mil habitantes. Quase quatro Barretos empilhadas uma sobre a outra.

Ou seja: Barretos produz riqueza como cidade grande, mas vive como cidade pequena. Isso é virtude ou desperdício? Depende da política. E da coragem.

Quando comparamos com Ribeirão Preto, o contraste fica ainda mais claro. Ribeirão tem PIB per capita de R$ 74.869,27 e uma população média de quase 700 mil pessoas. É outro patamar econômico, sem dúvida. Mas também outro nível de complexidade, conflitos urbanos, gargalos de gestão e desigualdades internas.

Aqui está o ponto central — e repito para ninguém dizer que foi mal-entendido: Barretos tem números de cidade rica e práticas de cidade insegura de si mesma.

Cidade desse porte, com esse PIB per capita e esse nível de escolarização, já deveria ser:

– polo regional de inovação,

– referência em serviços de saúde, educação e economia criativa,

– ambiente fértil para startups, serviços especializados e empregos qualificados.

Mas o que vemos? Uma cidade que frequentemente pensa pequeno, administra com medo e planeja como se estivesse sempre à beira do colapso. Não está. Os números provam.

O problema de Barretos não é falta de dinheiro, nem de gente capaz. É falta de projeto. Falta de ambição coletiva. Falta de liderança que olhe para os dados e diga: “Dá para ir além”.

Cidade rica que se comporta como pobre acaba pobre. Cidade média que age como grande cresce. Política pública não é caridade, é decisão estratégica baseada em evidência. E evidência, aqui, sobra.

Barretos não precisa se comparar com São Paulo nem competir com capitais. Basta olhar para seus próprios números — e ter coragem de acreditar neles.

Se não fizer isso, continuará vivendo o pior dos mundos: rica no papel, tímida na prática.

Redação

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