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Ano novo com indiferença pretérita

 Ano novo com indiferença pretérita
  • Túlio Guitarrari é filósofo, técnico contábil, jornalista e pós-graduado em Ciência Política e Teologia.

É ano novo, mas o passado insiste em continuar. O futuro, por ora, não dá sinais claros de que chegou. Servidores públicos seguem valorizados apenas no discurso — um discurso que já ultrapassou a linha da retórica vazia e se aproxima perigosamente da hipocrisia.

Notícia velha em ano novo? Não. Trata-se de uma notícia recorrente, independente de quem esteja sentado na cadeira do Poder Executivo.

O prefeito anunciou a antecipação do pagamento referente ao início de janeiro para o dia 31 de dezembro. O que não foi dito, porém, é que essa antecipação viria acompanhada de descontos, no mínimo, questionáveis. Acredito — e aqui concedo o benefício da dúvida — que não houvesse ciência prévia dos erros. Mas eles ocorreram. Novamente.

A justificativa apresentada segue o roteiro já conhecido desta gestão: o prefeito permanece em silêncio, e o secretário que se vire para explicar. Em nota oficial, a Secretaria Municipal de Finanças informou que eventuais problemas decorrentes de pagamentos que não foram devidamente lançados pelo Departamento de Recursos Humanos poderão ser resolvidos diretamente na próxima segunda-feira, dia 5 de janeiro, por meio de folha complementar.

Em outras palavras, o servidor que não recebeu integralmente aquilo que é seu direito deve reorganizar sua agenda e ir atrás do que deveria ter sido pago corretamente. Se não for, já se sabe como funciona: quem não reclama, não recebe.

Surge então uma dúvida legítima e inevitável: o senhor prefeito, o vice-prefeito e os secretários receberam seus salários antecipados de forma integral? Se receberam, houve também algum “equívoco” — para não dizer erro grotesco — nos vencimentos deles?

O secretário de Finanças, Buch, é reconhecidamente qualificado para o cargo que ocupa. É verdade que a Prefeitura não tinha obrigação legal de antecipar os salários. No entanto, ao fazê-lo — e trata-se, sim, de uma iniciativa louvável — deveria ter tomado os cuidados necessários para evitar esse tipo de falha.

É preciso apurar o que aconteceu. Não se trata de uma “caça às bruxas”, mas de oferecer aos servidores uma explicação clara, objetiva e respeitosa. Eles merecem mais do que uma nota que transmite, ainda que de forma indireta, a seguinte mensagem: “Pagamos menos do que você tinha direito, sim. Quer receber o restante? Venha reclamar”.

Até aqui, como de costume, o prefeito não se pronunciou. O ônus recaiu exclusivamente sobre o secretário. Sem uma justificativa convincente, corre-se o risco de que a responsabilidade recaia apenas sobre a gestão de Buck à frente da pasta — e não sobre quem o nomeou — o que seria, no mínimo, injusto.

Outra secretaria que, até o momento, não demonstrou claramente a que veio é a de Zeladoria. A promessa feita no ano passado era de que a cidade seria mais bem cuidada. No site da Prefeitura, esse compromisso segue registrado. Na prática, porém, permanecem as perguntas que o cidadão faz todos os dias: há mato alto na cidade? Buracos nas vias? Praças malcuidadas? Como anda a poda das árvores na sua rua? Há lixo espalhado pelas calçadas?

E, por fim, uma última pergunta, nada irrelevante: houve erro no salário do secretário?

O passado, esse, permanece bem presente. O futuro… quem sabe.

Feliz ano novo a todos.

Paz e Bem.

Redação

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