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2026 vai passar voando — e você não precisa perder tempo brigando por chinelo

 2026 vai passar voando — e você não precisa perder tempo brigando por chinelo

Anote aí: 2026 terá 365 dias, mas vai parecer que durou 120. Pisca o olho e pronto — acabou. No meio do caminho, teremos Copa do Mundo, Festa do Peão de Barretos e eleições. É muita emoção concentrada. O meu desejo — sincero — é simples: que você não brigue com a família nem por causa de futebol, nem por causa de política. Que no Natal de 2026 não seja necessário aquele pedido de desculpas constrangido, com peru frio e mágoa quente.

A Copa acontece de 11 de junho a 19 de julho. No Brasil, como sempre, tudo desacelera duas horas antes do apito inicial. Mas, convenhamos, o país não vai parar na primeira fase. O Brasil joga dia 13/6 (sábado) às 19h; dia 19/6 (sexta) às 22h; e dia 24/6 (quarta) às 19h — Dia de São João. Comércio, indústria, vida real: quase tudo segue. A gente arruma um jeito. Sempre arruma.

A política, por sua vez, virá com o mesmo script batido: lulismo versus bolsonarismo. Duas torcidas organizadas, muita espuma e pouca explicação. E é aqui que eu peço sua atenção — e um pouco de autocrítica. Se você passou os últimos dias discutindo Havaianas como se isso fosse revolução, sinto dizer: você foi feito de bobo.

Vamos aos fatos, porque eles doem menos que a ignorância. A Havaianas pertence à família Moreira Salles, dona do Itaú e controladora da CBMM, responsável por cerca de 77% do nióbio do mundo. O patrimônio da família gira em torno de R$ 100 bilhões. A Havaianas inteira vale algo como R$ 7,5 bilhões na bolsa e lucra cerca de R$ 300 milhões por ano — trocado para esse tamanho de fortuna.

O “cancelamento” gerou barulho, hashtags e umas perdas pontuais. Para eles? É como perder uma moeda de um real no sofá. Você nem levanta para procurar. Enquanto parte do país discutia chinelo, essa gente negociava interesses estratégicos com os Estados Unidos, que dependem integralmente do nióbio brasileiro para defesa, energia e alta tecnologia. Coincidência ou não, as tensões institucionais envolvendo Alexandre de Moraes caíram justamente nesse período sensível de negociação. O que está em jogo ali são bilhões por ano — algo como 16 vezes o que a Havaianas rende.

Quer mais ironia histórica? O patriarca apoiou a ditadura de 1964. Os filhos produziram filme criticando a ditadura, bancaram Fernanda Torres, ganharam prestígio internacional. Lucro dos dois lados. O diferencial não é produto, marketing ou “trabalho duro”. É a mesa onde eles sentam — e as informações às quais você nunca terá acesso.

Foto: Matt Winkelmeyer/Getty Images

Em agosto, de 20 a 30, chega a Festa do Peão de Barretos. Para Barretos, isso não é só festa: é identidade, economia, turismo, emprego. E depois vêm as eleições — primeiro turno em 4 de outubro, segundo em 25. Muito barulho, pouco debate estrutural.

Foto: Alisson Demetrio

Então, se você quer um conselho para 2026, aqui vai: comece o ano como quiser, mas pare de achar que está fazendo história ao discutir sandália. Enquanto você cancela produto, gente grande fecha acordo. Enquanto você grita, eles negociam. Entender isso não te transforma em cínico — te torna adulto.

E adulto não perde família por política, não perde amigos por futebol e não perde tempo brigando por chinelo.

Redação

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