Ana Castela Grava DVD “Herança Boiadeira – Rodeio” na 70ª Festa do Peão de Barretos
O pacto de Barretos: um script para 2026


Eles combinaram o jogo. E não foi no boteco, foi na arena da Festa do Peão de Barretos, sob refletores, microfones e o cheiro de poeira no ar. Ronaldo Caiado, Tarcísio de Freitas e Romeu Zema deixaram claro: cada um corre sozinho no primeiro turno de 2026, mas todos se abraçam no segundo. E isso, meus amigos, pode ser a senha para virar a eleição.
Na política, nada é improviso. O que parece frase solta é ensaio com roteiro. Quando Caiado disse “saímos no primeiro turno, nos apoiamos no segundo”, ao lado de Tarcísio e Zema, ele não estava fazendo firula. Ele estava mostrando que existe uma engenharia eleitoral em andamento.
O que está por trás
Primeiro: evitar briga interna. Ninguém quer morrer antes do tempo. Cada governador reforça seu quintal, cresce na sua base e não é sabotado pelos outros. Segundo: economia de munição. Se eles não gastam pólvora entre si, sobra caixa, sobra fôlego e sobra palanque para o confronto real contra PT e PL. Terceiro: reação preventiva. Se Lula ou Bolsonaro ficarem fora do jogo por algum motivo, esse trio se apresenta como alternativa organizada, um “plano B” com pinta de plano A.
O papel de cada um
Caiado tenta vender a imagem de ordem e competência. Tarcísio insiste em carregar o totem de Bolsonaro, mas se mostra pronto para assumir o protagonismo. Zema posa de liberal técnico, sem emoção, mas com discurso de eficiência. Cada um cumpre um papel: o pai de família, o herdeiro do mito, o gestor frio.
As vantagens
Esse arranjo tem lógica de planilha. Eles multiplicam o alcance — Goiás, Minas, São Paulo. Evitam brigas internas que só alimentariam adversários. E criam um canal organizado de transferência de votos no segundo turno. Parece simples? É sofisticado.
Os riscos
Só que política não é matemática. Transferir voto não é apertar botão. O eleitor do Zema pode não engolir o Tarcísio, o bolsonarista raiz pode torcer o nariz para o Caiado, e o lulista órfão pode preferir ficar em casa. Além disso, se a disputa for Lula x Bolsonaro, o trio corre o risco de virar nota de rodapé.
A engenharia oculta
O pacto é mais sobrevivência do que união de ideias. É um arranjo frio para não se auto-eliminar antes da hora. Eles sabem: quem negociar bem o primeiro turno pode chegar ao segundo não como figurante, mas como roteirista do filme.
Em Barretos, não foi só rodeio. Foi um ensaio de 2026. O público viu três governadores sorrindo lado a lado. Mas o que estava em jogo não era festa: era a chance de mudar o script da sucessão presidencial.
No Brasil, quando se anuncia “paz” entre rivais, é porque a guerra já começou.
