Barretos de luto: quando a cidade perde seus pilares invisíveis
A conta da água chegou. E não foi só no hidrômetro.
Sabe aquele silêncio estranho que diz mais que qualquer grito? Pois é. O SAAEB (Serviço Autônomo de Água e Esgoto de Barretos) anunciou, sem alarde, um aumento médio de 35,66% na tarifa de água e esgoto. E, pasmem: pode chegar até 72% dependendo da faixa de consumo. Um estouro que entra direto na conta do trabalhador — literalmente.
E onde estão os gritos de outrora? Onde está Paula Lemos, que, quando era vereadora, fazia oposição barulhenta contra qualquer tentativa de reajuste proposta por Guilherme Ávila? Entrava na Justiça, subia em tribuna, fazia do aumento uma cruzada moral. Hoje, curiosamente, silencia. Não só silencia: foi sob sua gestão que o SAAEB chegou à beira do colapso.
Durante anos, o SAAEB foi sendo empurrado com a barriga. Reajustes foram barrados com base no populismo barato. Resultado? Um serviço cada vez mais sucateado, uma estrutura sem capacidade de investimento e contas que não fecham nem com reza brava. Quando se governa com cálculo político ao invés de responsabilidade fiscal, a fatura chega. E quem paga? O povo.
A atual gestão, de Odair Silva, pegou o rojão aceso na mão. A diferença é que ele não escondeu o pavio. Encaminhou a revisão tarifária, apresentou estudos técnicos, ouviu o conselho de regulação e teve o respaldo jurídico da ARES-PCJ. Tudo nos conformes. Mas é claro que o conformismo é para quem senta na cadeira do poder. Para o cidadão comum, a única certeza é que a tarifa mínima de água e esgoto, que era R$ 104,01 para 18 m³ em 2023, agora pula para R$ 195,45 para 25 m³ em 2025. Um salto olímpico.
E não se iluda com o discurso da “Tarifa Social”. Com desconto de 50% até 15m³, ela é uma espécie de band-aid em um paciente com hemorragia. Resolve para uma parcela vulnerável? Sim. Mas e o restante da população que já vive no aperto? Paga o pato — ou melhor, a ducha.
Agora veja a ironia: dezenas de decretos de reajuste foram revogados ao longo dos anos, justamente por pressão política. E quando chega a hora de fazer o inevitável, cadê os opositores de ontem? Estão de mãos dadas com o aumento de hoje. É o velho “faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço”.
Moral da história? Água em Barretos virou artigo de luxo. Não pela escassez, mas pela irresponsabilidade acumulada de quem confundiu populismo com política pública. Agora o povo paga o preço da demagogia passada com juros, correção e multa.
Prepare-se. Em Barretos, o banho quente vai arder — no bolso.


