É hora do basta!

 É hora do basta!

Por conta da severa crise política,
econômica e ética que se abateu sobre o Brasil, nossos bate papos
virtuais têm sido pautados por notícias cada vez menos animadoras do
universo dos pequenos negócios. Quedas sequenciais de faturamento (11,4%
em fevereiro de 2016 na comparação com fevereiro/15), o início das
demissões nas pequenas empresas e a incerteza sobre os rumos do País
continuam, infelizmente, dominando a cena.

Entretanto,
hoje quero mostrar para vocês a outra face da moeda; a dos empresários
que, mesmo com 14 meses consecutivos de recuo da receita e dispensa de
empregados, mantêm a esperança de continuar embarcado no sonho do
próprio negócio. A mesma pesquisa que mostrou como os ganhos da pequena
empresa vem despencando, mostra que 56% esperam estabilidade da renda
para os próximos seis meses.

Lógico
que pesa o fator ‘já estamos no fundo do poço, agora é subir’. Mas
acredito que estes empresários têm um ativo fundamental para os que
decidem empreender: a persistência.


um pouco mais de um ano à frente do Sebrae-SP conheci empreendedores
que confirmaram minha convicção que o Brasil é maior que a crise. Casos
como do casal de empresários de Matão, Keli e Kisiel, que superaram o
desemprego trabalhando na informalidade e ganharam o status de
empresários ao abrir a loja de calçados Via Costantini. Ou da Vera e
Graciane, mãe e filha costureiras de Águas de Lindoia, que decidiram
deixar de trabalhar como mão de obra terceirizada numa malharia e
partiram para confecção própria e comércio de enxovais de bebê. E da
Meryelen, da paulistana Moove Bikes, que de dona de uma food bike passou
a fabricar bicicletas customizadas para comércio de alimentos, roupas e
outros segmentos e hoje produz 10 bikes por mês, além de dar
consultoria sobre este assunto.

Todos
relatam que 2015 foi realmente um ano bem complicado, mas nenhum deixou
de pensar no futuro, pensar em um plano B e prospectar novos produtos e
serviços. Alguns ainda não estão lucrando, mas estancaram a sangria.

Tenho
certeza que você, assim como eu, já viu e ouviu relatos similares; quem
sabe até é uma destas pessoas que aplicam tempo, dinheiro no sonho de
fazer a diferença, fazer diferente.

Mais
que os indicadores negativos da economia para 2016, a destruição de
sonhos como estes reforça o ciclo pernicioso da economia e coloca o País
numa posição de desvantagem. Afinal, são eles que movimentam a base de
nossa economia, gerando renda, emprego, ideias e novos investimentos.

O
setor produtivo e, tenho certeza, a nação brasileira já não aguenta
mais tanta imobilidade e deu seu Basta! É hora do plano B para o Brasil:
restabelecer a confiança no plano político, simplificar e desonerar a
atividade produtiva e fazer os ajustes fiscais necessários, com
responsabilidade.

É hora de
dar espaço para que as Veras, Gracianes, Meryelens e Kelis e os outros
2,7 milhões de empreendedores paulistas cumpram seu papel de artífices
do ciclo virtuoso do desenvolvimento.


Paulo Skaf, é presidente do SEBRAE / SP

Redação

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