Guerreiras do Axé: evento em Barretos destaca protagonismo feminino nas religiões de matriz africana
Guerreiras do Axé: evento em Barretos destaca protagonismo feminino nas religiões de matriz africana
No mês dedicado às mulheres, lideranças e integrantes de terreiros de Umbanda e Candomblé em Barretos promovem a segunda edição do Prêmio Guerreiras do Axé, iniciativa que busca reconhecer o papel das mulheres nas casas de religião afro-brasileira e ampliar o diálogo com a sociedade sobre cultura, fé e respeito à diversidade religiosa.
A proposta do evento é homenagear mulheres que atuam nos terreiros da cidade, além de dar visibilidade às histórias de resistência, trabalho comunitário e preservação cultural desenvolvidas por essas lideranças femininas.
Segundo o dirigente espiritual Alexandre Spocito, Pai de Santo do Terreiro de Umbanda Manezinho da Estrada, a premiação nasceu da necessidade de reconhecer mulheres que historicamente sustentam as tradições religiosas. “O evento vem para premiar e incentivar as mulheres de raiz, mulheres guerreiras que trabalham dentro dos terreiros, tanto de Umbanda quanto de Candomblé, aqui na cidade de Barretos”, afirmou.
Spocito explica que a iniciativa também surge em resposta a desafios enfrentados por praticantes dessas religiões. “São muitos ataques, muitas críticas por falta de conhecimento. A ideia é mostrar que esse evento tem um impacto social importante e também apresenta a cultura da nossa religião afro-brasileira”, disse.
A assistente social e filha de santo Camila Vieira destaca que o projeto também tem um caráter educativo. Segundo ela, compreender a história das religiões de matriz africana passa por reconhecer as trajetórias de grupos que, ao longo do tempo, ocuparam posições de vulnerabilidade social.
“Quando a gente pensa de onde veio essa religião e quem construiu essa tradição, percebemos que ela está ligada à história de grupos que muitas vezes foram colocados à margem da sociedade. Por isso, iniciativas como essa também dialogam com políticas públicas e direitos humanos”, afirmou.
Ela acrescenta que a presença feminina sempre foi central na construção das comunidades religiosas. “Historicamente, as mulheres foram precursoras de muitos processos de mobilização comunitária. Elas não atuam apenas no terreiro, mas também na vida social, profissional e comunitária”, explicou.
Para Maria Rita dos Santos, também integrante do terreiro, o prêmio busca enfrentar o que ela define como um apagamento da participação feminina. “Existe muitas vezes um esquecimento da história das mulheres dentro do terreiro. O evento surge justamente para trazer essa visibilidade e reconhecer essas trajetórias”, disse.
A iniciativa também pretende aproximar o público que ainda não conhece essas tradições religiosas. “Quando a gente leva o evento para um espaço aberto à comunidade, as pessoas podem conhecer melhor a religião e quebrar alguns paradigmas que existem”, afirmou.
O Prêmio Guerreiras do Axé será realizado no Cine Teatro Barretos, reunindo apresentações culturais, homenagens e lideranças religiosas da região. A proposta é apresentar aspectos culturais das religiões de matriz africana, como música, dança e narrativas tradicionais.
“O público pode esperar uma noite de aprendizado e cultura. Queremos mostrar um lado muito bonito da nossa religião e convidar as pessoas a conhecerem mais sobre a Umbanda e o Candomblé”, concluiu Alexandre Spocito.
Serviço:
- Premiação Guerreiras do Axé
- Quando: 21/03 às 19h00
- Local: Cine Teatro Barretos


