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Casamentos homoafetivos crescem no Brasil e impulsionam celebrações simbólicas e personalizadas

 Casamentos homoafetivos crescem no Brasil e impulsionam celebrações simbólicas e personalizadas

Número de registros civis aumenta 8,8% entre 2023 e 2024, enquanto casais buscam cerimônias que valorizem história, identidade e afeto

O número de casamentos homoafetivos no Brasil voltou a crescer. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam aumento de 8,8% entre 2023 e 2024, totalizando 12.187 registros civis no período. As uniões entre mulheres lideram o levantamento, representando 64,6% do total. Paralelamente ao crescimento nos cartórios, ganham espaço as celebrações simbólicas e personalizadas, escolhidas por casais que desejam marcar a data com uma cerimônia construída a partir da própria trajetória.

Segundo profissionais do setor, a procura por cerimônias fora de modelos tradicionais tem aumentado. O celebrante Fábio Luporini, especializado em celebrações simbólicas, personalizadas, ao ar livre e em formatos como destination e elopement weddings, afirma que muitos casais homoafetivos optam por esse tipo de evento por encontrarem maior liberdade de expressão.

“Os casais homoafetivos dificilmente têm a oportunidade de celebrar o amor em uma igreja, independentemente da denominação religiosa, embora muitos tenham fé e espiritualidade. As cerimônias simbólicas não carregam julgamentos nem regras excludentes e permitem incluir elementos que representam a história dos noivos e noivas”, afirma.

De acordo com ele, a proposta vai além de um ritual formal. “É a consagração pública de uma história que, muitas vezes, foi construída com coragem e resistência. Ao contar desde o primeiro encontro até os desafios superados e os sonhos compartilhados, a cerimônia se torna um espaço de reconhecimento e pertencimento”, explica.

História contada em detalhes

A escolha por uma celebração personalizada foi o caminho seguido por Júlia Mantovani e Ingrid Alves. O casal oficializou a união no civil em outubro de 2025, mas decidiu realizar posteriormente uma cerimônia simbólica.

Para Júlia, o formato permitiu que a celebração refletisse a identidade das duas. “Ela respeita vivências, valores, crenças e a forma como enxergamos o amor. É uma história contada de verdade, com momentos e lembranças que fazem sentido para quem está ali. Quando é personalizada, emociona mais, porque é real”, relata.

Acolhimento como elemento central

Em cerimônias homoafetivas, a condução do celebrante é apontada como um dos fatores determinantes para o resultado do evento. Segundo as noivas, o papel do profissional envolve acolhimento e sensibilidade.

“O celebrante cria um ambiente seguro e leve, onde o amor é o centro de tudo. Sem rótulos ou padrões, apenas a verdade do casal sendo celebrada”, afirma Júlia.

O casal conta que conheceu o trabalho de Fábio Luporini por meio de pesquisas na internet e vídeos de cerimônias anteriores. “Cada uma tinha identidade própria. Era isso que queríamos. Recebemos muitos elogios dos convidados, que disseram que parecia que ele nos conhecia há anos, pelos detalhes que contou da nossa história”, relata.

Com o crescimento dos registros civis e a ampliação de formatos de celebração, o mercado de casamentos acompanha a diversificação das escolhas dos casais, que buscam experiências alinhadas às próprias trajetórias e valores.

Redação

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