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Educação não se faz de costas para o povo

 Educação não se faz de costas para o povo
  • Michela Rita é historiadora, gestora pública e professora, com MBA em Gestão Escolar

Mudar a gestão de uma escola garante educação de qualidade? Em Barretos, a estadualização das escolas São Francisco e Giuseppe Carnímeo levanta uma pergunta: quem está sendo ouvido nessas decisões?

A Prefeitura justifica a medida pela qualificação pedagógica e pela equidade. Mas não há equidade sem diálogo. Famílias, estudantes e profissionais precisam participar antes que decisões que afetam suas vidas sejam tomadas.

A região da EM São Francisco também precisa ser ouvida. Já fui professora nessa escola e na EE Silvestre de Lima. Muitos estudantes enfrentam deslocamentos e trajetos perigosos, inclusive trechos de rodovia. A região precisa de mais vagas nos anos finais do Ensino Fundamental, no Ensino Médio e no período noturno. É urgente planejar a construção de uma nova escola nas proximidades.

Outro ponto inadiável é o futuro dos profissionais REJAE, que poderão ficar sem trabalho no próximo ano letivo. Não estamos falando apenas de contratos, mas de pessoas que dedicaram seu trabalho à educação e que precisam garantir o sustento de suas famílias. Não é justo que mudanças administrativas produzam insegurança para esses trabalhadores sem transparência, diálogo e respostas concretas sobre sua situação.

Defender os profissionais REJAE é defender a dignidade de quem trabalha, o direito ao trabalho e o reconhecimento de que a educação pública depende também de seus trabalhadores. A administração pública precisa apresentar alternativas responsáveis, esclarecer os critérios de lotação e contratação e evitar que esses profissionais sejam tratados como peças descartáveis a cada reorganização da rede.

Por isso, é fundamental defender concursos públicos e vínculos profissionais estáveis, garantindo critérios transparentes de ingresso e condições dignas de trabalho. Valorizar os trabalhadores não é gasto supérfluo: é compromisso com a qualidade e a continuidade do serviço público.

Barretos precisa de planejamento, investimento e diálogo. Decidir com a comunidade, valorizar quem educa e garantir escolas onde são necessárias são responsabilidades inseparáveis. O futuro da educação não pode ser construído à custa da insegurança de seus trabalhadores nem do direito dos jovens de estudar.

Redação

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