Ana Castela, “Rap da Felicidade” e o debate sobre quando a cultura periférica vira produto
Nêgo Bispo questiona o progresso e propõe uma nova relação com a terra
Nêgo Bispo foi um dos maiores intelectuais quilombolas do país. (Foto: Guilherme Fagundes)
A terra dá, a terra quer (2023), escrito pelo pensador, ativista e intelectual quilombola Antônio Bispo dos Santos, o Nêgo Bispo, aponta para a destruição promovida pelo modo de vida colonial ocidental sobre a Terra e as relações humanas. A obra apresenta a contracolonização como uma forma de impor limites à sanha colonial, usando os conhecimentos tradicionais dos quilombos e dos povos originários.
O livro também desmantela a ideia de “desenvolvimento” econômico e de progresso linear, mostrando como esses conceitos podem resultar em expropriação, monoculturas, uso de veneno na agricultura e desterritorialização. Em contraponto, Nêgo Bispo apresenta a ideia de “envolvimento” orgânico com a terra, baseado em outras formas de relação com o território, com a natureza e com a própria comunidade.
No fim, o livro é claro: principalmente quando falamos em desenvolvimento, é preciso questionar aquilo que os colonizadores nos fizeram acreditar que significa “progredir”. Para Nêgo Bispo, talvez o verdadeiro avanço não esteja em dominar e explorar a terra, mas em aprender a viver com ela.
Ficha técnica
Título: A terra dá, a terra quer
Autor: Antônio Bispo dos Santos (Nêgo Bispo)
Editora: Ubu Editora / PISEAGRAMA
Ano de publicação: 2023
Páginas: 112
Gênero: ensaios / pensamento social / ecologia
Temas: quilombos, contracolonização, ecologia, território, colonialismo e relação com a natureza
Imagens: Santídio Pereira
Onde comprar:
· Livro físico: Estante Virtual e Amazon (R$ 40 e R$ 65)
· E-book:

FOTO 8 – Nêgo Bispo foi um dos maiores intelectuais quilombolas do país. (Foto: Guilherme Fagundes)


