Voto consciente recusa a cegueira ideológica de ambos os lados
Voto consciente recusa a cegueira ideológica de ambos os lados
- Túlio Guitarrari é filósofo, técnico contábil, jornalista e pós-graduado em Ciência Política e Teologia.
A análise racional da política exige autonomia individual para rejeitar narrativas simplistas e radicalismos que dividem o eleitorado nacional.
O eleitor busca alternativas conscientes no primeiro turno e, ao mesmo tempo, rejeita o extremismo político. Nesse sentido, a análise crítica fundamenta a escolha democrática, sem adesão cega a candidaturas específicas.
No primeiro turno das eleições, não votarei em Flávio Bolsonaro porque não o considero a melhor opção para o país. Da mesma forma, minha convicção política impede qualquer apoio a Lula ou a candidatos que defendam a ideologia socialista.
No passado, já votei no candidato petista e apoiei suas ideias. Contudo, o estudo e a busca pelo conhecimento revelaram meus equívocos anteriores e motivaram uma mudança de posicionamento. Parafraseando Santa Teresa de Ávila, que afirmou: “Eu posso até me equivocar, mas eu não minto”, compreendo que o erro integra a condição humana. No entanto, o eleitor comete uma falha lógica quando persiste no erro diante dos fatos históricos. Afinal, as experiências socialistas acumulam fracassos ao redor do mundo, associados, em diferentes contextos, à pobreza, ao sofrimento e à perseguição política de opositores.
Pragmatismo eleitoral e crítica aos extremos
Apesar disso, minha postura diante do processo eleitoral prioriza a participação ativa. Descarto o voto em branco, a anulação e a abstenção, pois a omissão não me isenta das consequências políticas. Por essa razão, se o segundo turno apresentasse apenas uma disputa entre representantes da esquerda radical, como uma eventual escolha entre Lula e Guilherme Boulos, eu escolheria, pragmaticamente, a alternativa que considerasse menos nociva.
Por outro lado, diante de uma alternativa conservadora de direita viável, jamais aceitaria promessas populistas e irrealistas. Atualmente, o debate público enfrenta uma profunda pobreza intelectual. Debater com militantes petistas pode se revelar tão improdutivo quanto discutir com bolsonaristas radicais, pois ambos os lados podem agir sob a influência da cegueira ideológica.
Se um cidadão discorda da polarização, as militâncias logo podem rotulá-lo como “jumento” ou “gado”. Diante de ofensas rasas, prefiro exercer o direito ao silêncio para preservar meu tempo. Embora não me considere detentor da verdade absoluta, reconheço que nem o lulopetismo nem o bolsonarismo agregam valor ao debate público. Consequentemente, mesmo alinhando-me com mais frequência a pautas da direita, recuso veementemente qualquer apoio cego e acrítico.
A defesa de uma alternativa conservadora de direita fundamenta-se na preservação de valores que priorizam a dignidade e a autonomia do indivíduo. Nesse sentido, a filosofia de direita valoriza a liberdade humana ao defender que cada cidadão deve exercer controle sobre sua própria trajetória e suas escolhas.
Além disso, o modelo econômico e social defendido pela direita estimula o trabalho, a iniciativa privada e o mérito individual como motores do desenvolvimento. Consequentemente, esse modelo busca proporcionar um ambiente favorável ao crescimento pessoal e financeiro, oferecendo oportunidades para que a população prospere por meio de seu próprio esforço e de sua capacidade de inovação.



