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Lula visita Hospital de Amor e expõe viés eleitoral
Em busca de visibilidade política em ano eleitoral, o presidente Lula visita o Hospital de Amor após, segundo a avaliação deste articulista, manter-se distante da instituição oncológica de referência nacional durante boa parte de seu atual mandato.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva visitou, neste sábado (5), o Hospital de Amor, em Barretos (SP), onde esteve no novo Centro de Reabilitação, o DREAM, antes de seguir para São José do Rio Preto. Ele foi acompanhado pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e recebido pelo presidente da instituição, Henrique Prata.
Contudo, a repentina atenção do governo contrasta com o período de distanciamento observado desde o início do atual mandato. Embora a instituição lidere avanços no tratamento do câncer no Brasil, a gestão federal levou um longo período para realizar uma visita oficial ao local, intensificando sua presença justamente na proximidade do calendário eleitoral.
Durante a visita, Lula destacou a relevância do hospital. “Se tem uma coisa que é motivo de orgulho no mundo inteiro, é o Hospital de Amor”, afirmou. Ao conversar com funcionários e pacientes, completou: “Vocês são um exemplo de que nada na vida é impossível quando a gente tem oportunidade e pessoas dispostas a ajudar”.
Lula também lembrou que esta é a terceira vez que visita a instituição e elogiou sua capacidade de inovação. “É sempre uma coisa nova, e sempre um avanço que a gente consegue oferecer para o povo brasileiro”, disse.
Como estudioso da política e pós-graduado em Ciência Política, vejo nessa mudança de postura um componente de oportunismo político. Na minha avaliação, a aproximação mais frequente de Lula com o Hospital de Amor no período pré-eleitoral não pode ser dissociada do potencial de visibilidade que a instituição oferece.
Ao utilizar a estrutura e a imagem desse polo de excelência como cenário para sua agenda política, o governo também se beneficia da projeção de uma instituição que é um dos grandes expoentes do Sistema Único de Saúde (SUS). O Hospital de Amor se destaca pelo atendimento oncológico gratuito a pacientes de todo o Brasil e tornou-se uma referência nacional na área.
A questão, portanto, não está na visita de um presidente da República a uma instituição dessa importância — ao contrário, a presença do chefe do Executivo deveria ser sempre bem-vinda quando resulta em apoio efetivo à saúde pública. O ponto que merece reflexão é a diferença entre presença institucional e conveniência eleitoral.
Essa discussão ganha ainda mais relevância diante dos problemas enfrentados cotidianamente pelo Sistema Único de Saúde. Filas de espera por consultas, exames e cirurgias, dificuldades de acesso e desigualdades na distribuição de recursos continuam afetando milhões de brasileiros que dependem exclusivamente da rede pública.
O subfinanciamento crônico, a distribuição desequilibrada de recursos e problemas de gestão contribuem para um cenário que penaliza diariamente pacientes que aguardam por tratamentos essenciais. A dificuldade de oferecer atendimento ágil e humanizado evidencia, em muitos casos, o descompasso entre as garantias previstas na Constituição e a realidade enfrentada por quem depende dos serviços públicos de saúde.
É justamente nesse contexto que a visita presidencial merece ser analisada para além das imagens, dos discursos e dos aplausos. O Hospital de Amor não precisa apenas de prestígio institucional: precisa de políticas públicas permanentes, financiamento adequado e apoio concreto para continuar fazendo aquilo que já faz, com excelência, há décadas.
Se a aproximação do governo federal representar um compromisso efetivo e duradouro com a instituição e com a saúde pública, será positiva. Se, porém, servir apenas como vitrine em período pré-eleitoral, caberá à sociedade reconhecer a diferença entre política de Estado e marketing político.
Paz e bem!



