Fim da “taxa das blusinhas” preocupa indústria e comércio brasileiros
Setor produtivo aponta riscos para competitividade, emprego e arrecadação e defende isonomia tributária para empresas brasileiras.
O possível fim da chamada “taxa das blusinhas” acendeu um alerta entre empresas brasileiras. A cobrança de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50 está no centro de uma disputa que envolve preços, empregos e arrecadação.
Representantes do setor produtivo afirmam que a retirada do imposto pode aumentar a diferença de custos entre mercadorias nacionais e importadas. Na prática, produtos vendidos por plataformas estrangeiras poderiam chegar ao consumidor em condições mais favoráveis do que itens fabricados no Brasil.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse, em entrevista à TV Record exibida em 23 de agosto, que o governo deverá acabar com a cobrança. Hoje, a alíquota de 20% do Imposto de Importação está suspensa pela Medida Provisória 1.357/2026, editada pelo governo federal em maio.
A medida provisória perderá validade em 8 de setembro se o Congresso não aprovar o texto. Os parlamentares devem analisar a proposta durante o chamado esforço concentrado, período em que a Câmara e o Senado intensificam as votações, previsto para ocorrer entre 31 de agosto e 4 de setembro.
Para Alfredo Cotait Neto, presidente da Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB), da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) e da Federação das Associações Comerciais de São Paulo (Facesp), a retirada do imposto precisa vir acompanhada de medidas que reduzam a diferença entre as condições enfrentadas por empresas brasileiras e fornecedores estrangeiros.
A preocupação do setor é direta: sem regras equivalentes, o produto nacional pode perder espaço justamente no momento da compra, quando o consumidor compara preço, prazo e custo final.
Fonte: Brasil 61


