“Falta traquejo”, “gestão fechada” e “acomodada”: ex-prefeitos avaliam governo Odair Silva
“Falta traquejo”, “gestão fechada” e “acomodada”: ex-prefeitos avaliam governo Odair Silva
Antes de pedir votos, Odair Silva levou ao palco dois símbolos de sua infância: uma enxada e um pacote de bolacha.
Antes de completar dois anos à frente da Prefeitura de Barretos, o prefeito Odair Silva (REP) já reúne avaliações distintas de três ex-prefeitos do município. Em entrevistas concedidas ao O Sertanejo, Guilherme Ávila, Emanoel Carvalho e Uebe Rezeck analisaram a condução da atual administração, destacando pontos positivos e fazendo críticas sobre a forma como o governo vem sendo conduzido.
Para Guilherme Ávila, Odair assumiu o cargo com disposição para trabalhar e colocar projetos em prática. Na avaliação dele, porém, a falta de experiência política tem dificultado a concretização de parte dessas iniciativas. “Eu vejo que ele tem vontade, ele tem boa vontade de tentar fazer. Ele entrou com uma visão para poder fazer acontecer, colocar muitas coisas em prática”, afirmou.
Na sequência, Guilherme disse que a administração sente falta de um “tino político”, capacidade que, segundo ele, ajuda um gestor a negociar, construir apoios e superar os obstáculos naturais da vida pública. “A falta de vivência política dele está prejudicando bastante, ao meu ver. Na hora de fazer acontecer, aquele tino político, aquele traquejo está fazendo falta à administração. Boa vontade eu sei que ele tem, dedicação eu sei que ele tem, mas às vezes falta esse tino, porque política não é para qualquer um.”
O ex-prefeito também utilizou uma comparação para ilustrar a pressão exercida sobre quem ocupa um cargo público. “A política é uma máquina de moer gente. Moe cem vezes por uma coisa só. Depois de um tempo, moe pela mesma coisa de novo. Isso acaba dificultando e fazendo com que muitos projetos e desejos do próprio prefeito não aconteçam.”
Emanoel Carvalho iniciou sua análise lembrando que a experiência de administrar uma cidade muda a forma de enxergar os desafios da função. “Como fui prefeito, sei das dificuldades. É diferente de quem nunca sentou naquela cadeira e não entende certas dificuldades que ele pode estar passando.”
Na avaliação dele, o principal ponto de atenção da atual gestão está no círculo de pessoas que participam das decisões. “Eu acho que o Odair também se fecha muito. Ele tem um grupo e fica mais fechado naquele grupo. Quando a gente fecha muito, fica mais sujeito a errar.”
Emanoel recordou que, quando era prefeito, costumava buscar conselhos do ex-prefeito Ibraim Martins. Segundo ele, nem sempre seguia as orientações, mas essas conversas ampliavam sua visão antes de tomar decisões. “Eu subia a escadinha da loja para conversar com o senhor Ibraim. Chamava ele de mestre. Perguntava como ele tinha resolvido determinadas situações. Talvez metade do que conversávamos eu nem fizesse igual, mas isso me obrigava a pensar fora da minha caixinha, fora das pessoas que às vezes só dizem que o prefeito está certo.”
Mesmo assim, Emanoel afirmou que não considera negativa a gestão até o momento. “Até o momento ele não está indo mal. Está fazendo o beabá certinho. Só acho que o prefeito, além do beabá, tem que pensar no futuro da cidade, em coisas que vão impactar mais para frente. E isso ainda a gente não está vendo.”
Uebe Rezeck, por sua vez, avaliou que a administração ainda não apresentou uma obra ou projeto capaz de marcar o governo Odair Silva. “Está muito acomodada. Está faltando sonhar com obras estruturais para Barretos.”
Na sequência, ele citou intervenções já entregues pela Prefeitura e afirmou que algumas delas tiveram origem na administração anterior. “O que ele entregou até agora, como a Avenida 7 e a captação de água no Rio das Pedras, eram obras da gestão da Paula. Ele faz bem em terminar, mas ainda não apresentou uma obra que marque a administração dele.”
Ao encerrar a entrevista, Uebe resumiu sua avaliação em uma frase direta. “Eu acho que está muito acomodado. Precisa dar um chacoalhão para que realmente a gente melhore as condições de Barretos.”


