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“Águas de Março”: o clássico de Tom Jobim que transforma o cotidiano em poesia e ecoa o folclore brasileiro

 “Águas de Março”: o clássico de Tom Jobim que transforma o cotidiano em poesia e ecoa o folclore brasileiro

Tom Jobim (Foto: Ana Lontra Jobim)

“Águas de Março”, composta por Tom Jobim e eternizada na interpretação de Elis Regina — especialmente na gravação de 1974, ao lado do próprio Jobim — é um dos maiores clássicos da MPB. Logo no início da música, o piano marca duas notas isoladas (mi–fá) que muitos ouvintes associam ao canto da Matinta Pereira, figura do folclore brasileiro ligada a um assobio repetitivo e misterioso. Essa associação surge da escuta atenta e da tradição oral, reforçando o vínculo da canção com o imaginário popular brasileiro.

A letra é construída como uma sucessão de imagens simples do cotidiano, quase sem narrativa linear, criando um fluxo que imita o fim do verão e o recomeço trazido pelas chuvas de março. Tudo parece pequeno, fragmentado e, ao mesmo tempo, cheio de sentido. É poesia feita de objetos, gestos e sons comuns, algo muito característico da escrita de Jobim.

O resultado é uma música profundamente brasileira, tanto na sonoridade quanto no imaginário que evoca. “Águas de Março” encanta até hoje justamente por transformar o banal em arte, unindo melodia, ritmo e palavra de forma natural e sofisticada, sem perder o calor popular que define a canção.

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